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Basta passar por uma situação muito difícil, estressante ou problemática que o nosso corpo fica diferente: a cabeça dói, o resfriado aparece, a digestão se complica, a respiração fica difícil ou a pele se enche de alergias. Todas as pessoas acabam provocando mudanças no corpo ao enfrentar determinadas situações emocionais, principalmente as que produzem estresse e ansiedade. O que muda é a intensidade e a frequência com que isso acontece, que podem se tornar crônicos.

Para algumas pessoas ainda é difícil entender como questões psicológicas podem interferir realmente na saúde física, e essa falta de noção é mais perigosa do que imaginamos, afinal é por causa dela que deixamos passar algumas questões que, se fossem trabalhadas, poderiam nos garantir uma vida de melhor qualidade.

A Síndrome da Conversão, por exemplo, é capaz de levar o paciente para um centro de emergências de um hospital. Pessoas vítimas dessa síndrome acabam apresentando sintomas típicos de pacientes com problemas neurológicos, psiquiátricos e cardíacos; com crises epiléticas, dificuldades respiratórias, incapacidade de andar e falar, bloqueios de visão, audição e fala.

Antigamente esses sintomas físicos sem explicação biológica eram descritos como uma Histeria típica das mulheres, mas o fato é que homens também são vítimas desses casos, e agora, finalmente, isso já é aceito sem muita resistência.

O fato é que o termo “Histeria” deixou de ser utilizado há pouco tempo, na era da psicoterapia moderna, e a palavra “conversão” passou a ser adotada para definir esses casos. A palavra “conversão” cumpre exatamente o seu papel ao deixar claro que se trata realmente da transformação, da conversão de uma dor psicológica em uma dor física.

O termo conversão foi introduzido por Freud para definir o mecanismo de defesa através do qual um conteúdo mental é transformado, convertido, em fenômenos orgânicos, motores (paralisias, tremores, convulsões, distúrbios da marcha, da deglutição etc.) ou sensitivos (dores, parestesias, anestesias, distúrbios da visão, da audição etc.)

Clinicamente é muito importante fazer-se a distinção entre o sintoma conversivo e a somatização, já que os dois casos afetam o funcionamento corporal, mas demandam diferentes abordagens. Enquanto que o sintoma conversivo é a representação, através dos sintomas corporais, de um conflito emocional que está inconsciente, a somatização é um distúrbio funcional que nos mostra a existência de uma situação de estresse.

Somatização são sintomas físicos os quais a medicina não explica a origem e nem constituem um quadro clinico específico, mas seriam de origem emocional. Estes sintomas podem ter sua origem nos pensamentos e emoções fortes que abalam o sistema psíquico.

Cada vez que uma pessoa não consegue suportar no plano psíquico uma situação, ela acaba produzindo ou agravando sintomas e doenças que se manifestam no corpo. Palpitações, gastrite e dores de cabeça estão entre os sintomas mais comuns, mas a somatização pode deixar o organismo com menos defesas para doenças sérias, como câncer, além de prejudicar a recuperação de uma cirurgia, por exemplo. O estresse e a ansiedade são os principais fatores que acabam por influenciar no aparecimento, na manutenção ou repetição de uma doença física, porque eles alteram o funcionamento de vários sistemas do nosso organismo.

O indivíduo tende a somatizar nas áreas do corpo que já estão mais fragilizadas ou já tiveram um problema no passado. Depende das reações e da composição física de cada pessoa.

É preciso deixar claro que essa transferência do campo emocional para o físico não acontece por vontade do paciente nem pode ser induzida, esse processo, na verdade, acontece de maneira inconsciente. Converter emoções não verbais e às vezes até inconscientes em dor física é uma forma de mente e corpo se conectarem.

Tanto a conversão quanto a somatização podem estar ligadas a diversos traumas emocionais ou experiências de estresse extremo, como a morte de uma pessoa ou um caso de demissão. Transformar essa dor psicológica em uma dor física é um mecanismo do próprio corpo humano, que talvez divida o peso de um trauma com o resto do corpo para não sobrecarregar o lado emocional.

Assim todo tratamento que envolva questões psicológicas exige do médico, do terapeuta, do psicólogo e dos outros profissionais envolvidos boas doses de empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro e analisar muito bem aquilo que se diz. O ideal é mesclar o tratamento médico, feito por um psiquiatra, com o tratamento terapêutico com um psicólogo.

Portanto é possível controlar e até mesmo evitar que isso aconteça. Mas a receita, que não é fácil e muito menos rápida, inclui o autoconhecimento, a descoberta de válvulas de escape e uma mudança na maneira de encarar os problemas e reagir a eles, com o acompanhamento de um psicoterapeuta.

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3 comentários em “E Quando a Doença Vem da Emoção?

  1. Olá Kamila, eu compreendo perfeitamente o que escreveu. Pois quando comecei a estudar a metafísica da saúde compreendi que a minha endometriose e todos os meus problemas de intestinos tinham sido originados pelos meus problemas emocionais. No entanto, apesar de ter consciência disto agora não significa que tudo passe. Há muitas crenças e maneiras de pensar que tenho mudado, mas ainda há muito para mudar. É difícil, mas é muito compensador, porque ficamos mais saudáveis e mais felizes. Grata pelo seu texto. Abraço.
    https://reflexoseperspetivas.blog/

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