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O que todo indivíduo social quer é ser aceito e querido nos grupos e nas relações. E no meio desse processo sempre estará presente a possibilidade de rejeição. Cada pessoa faz esse trabalho constantemente: o de aceitar, acatar, absorver ou o de rejeitar, afastar, ignorar. Esse movimento é tão natural quanto os relacionamentos humanos e assim o indivíduo cria sua identidade, sempre a partir de escolhas.

No entanto somos educados para conseguirmos a aceitação dos demais, por isso a rejeição é algo que evitamos tanto quanto uma doença. Existem dois tipos de rejeição: a rejeição exterior e a interior.

A rejeição exterior nós não temos como evitar. Quantas vezes nós também já rejeitamos alguém? Não podemos fazer nada para reverter essa situação, mas podemos nos tornar imunes a ela ou, até mesmo, ignorá-la.

Por outro lado, a rejeição interior é a mais difícil. Esta rejeição está em nossa mente e surge com um sentimento de que devemos ser rejeitados, tornando este sentimento o mais difícil de eliminar.

O fato de se sentir rejeitado costuma abalar diretamente a autoestima. A negativa de uma pessoa a quem você deu o seu melhor faz com que segurança em suas qualidades seja enfraquecida. A questão é que nem sempre isso é um processo racional ou mesmo pessoal.

A rejeição também pode nos transformar em pessoas inseguras e fazer com que descuidemos de nós mesmos. Não nos preocupamos com nós mesmos e transmitimos essa rejeição que sentimos aos demais, gerando um círculo negativo.

Muitas vezes a rejeição sentida pode não ser real, mas a pessoa fragilizada por seus sentimentos internos pode enxergar a rejeição onde talvez não esteja ocorrendo. Algumas vezes essa pessoa sofreu rejeição em outros momentos de sua vida, foi dolorido e deixou marcas de forma a fazer com que ela veja rejeição onde não tem.

Muitas vezes o sentimento de rejeição pode ter sua origem em vivencias da infância onde pessoas significativas como pais, professores, parentes e pessoas de convívio próximo possam ter agido de forma a instalar a rejeição. Por exemplo, uma criança que ficou muito tempo sozinha, mesmo não havendo sentimento de rejeição por parte de seus pais, pode interpretar essa ausência como rejeição.

Assim da pra perceber que não há como fugir. Todos passam por rejeições em alguns momentos da vida. Seja na escola, com os amigos, no trabalho ou amorosamente. Não ganhar a promoção esperada, nem o convite para aquela festa ou a ligação do namorado. A diferença está em como cada um lida com a rejeição.

Segundo estudos recentes conduzidos nos Estados Unidos, o sentimento da rejeição é semelhante à dor física, ativando inclusive as mesmas áreas no cérebro. Quando sentimos alguma dor física ou algo que nos incomode imediatamente procuramos uma forma de resolver e sanar isso, seja através de medicamentos ou outros tipos de tratamentos. Mas quando temos uma dor emocional, como a da rejeição, não há uma resolução prática e pontual que possa dar conta dessa sensação.

Uma atitude muito positiva para melhorar é se recordar de alguma outra situação anterior que também tenha lhe causado dor e como foi o seu processo de cura. Ainda que esse processo tenha sido muito doloroso, ajuda a percepção de que o sofrimento tem começo, meio e fim e que, mesmo deixando cicatrizes, a dor deixa de ser tão ativa e presente como a que está vivenciando no momento. Há outras formas de lidar melhor com a rejeição:

  • Separar a rejeição do rejeitado: A rejeição é apenas um tipo de critério de alguém a respeito de outra pessoa, não é pessoal, ainda que pareça, pois ela não tem pleno controle de quem vai gostar. A outra pode até ser uma boa pessoa e desejável, mas para aquela não causa nenhum impacto;
  • Exercite a autoestima: Não se permita esquecer o seu valor e suas qualidades, não é porque uma pessoa não gostou de você que todas as outras não vão gostar. A autoestima muitas vezes está relacionada à aceitação do outro e é preciso avaliar muito bem o que realmente é preciso mudar e o que é apenas a opinião do outro;
  • Respeite a não correspondência: Algumas pessoas tem dificuldade de tolerar não serem correspondidas, como se aquilo fosse um ataque pessoal. É como se o outro fosse obrigado a responder positivamente seus sentimentos. Mesmo num relacionamento de longa duração, as vidas e as personalidades podem tomar rumos diferentes e aquilo que motivava inicialmente a união se perde no meio do caminho;
  • Encare a tristeza: Aceite lidar com a tristeza e entenda que aquelas esperanças depositadas passarão por um processo natural de diluição até se recomporem. Fugir da dor é só um jeito de prolongar o processo;
  • Siga a própria vida: Redirecionar aquele desejo, amor e carinho para outras fontes saudáveis, como pessoas acolhedoras e queridas;
  • Mantenha-se em movimento: Exercícios físicos e atividades agradáveis têm o poder de te fazer enxergar a vida por outro ângulo e sair do sofrimento. Mais do que uma dica, tome como uma regra: nada de ficar sozinha em casa chorando ou se martirizando. Faça um esforço e se movimente, com certeza isso vai ajudar a arejar as ideias;
  • Faça uma seleção melhor no futuro: Repense os próprios critérios para entender se as pessoas pelas quais você se envolve costumam ser indisponíveis ou inacessíveis demais. Tente compreender se existe uma disposição efetiva para ser amada ou se, no fundo, você só está criando um ciclo de rejeição;
  • Inverta as posições: Lembra-se daquela vez que você também rejeitou alguém legal? Provavelmente você já passou por uma situação em que uma pessoa que parecia interessante não te tocou profundamente. Resgatar essa situação possivelmente vai te ajudar a perceber que essas coisas, infelizmente, acontecem.

Fácil não é, mas o fato é que a rejeição sempre aparecerá um dia. Aproveite para aprender melhor sobre os processos humanos. Perceba que você também já rejeitou e não foi porque faltou alguma coisa ou alguém errou e sim porque simplesmente não mexeu com você. O melhor da vida é que ela sempre pode ser recomeçada, então foque mais em você e siga em frente.

No entanto quando temos um machucado leve na pele, cuidamos dele sem necessidade de ajuda de um médico. Mas quando o ferimento é grave, corremos para o hospital. Com a nossa saúde emocional também é assim: quando o sentimento de rejeição não passa e começa a afetar nosso dia a dia de forma negativa, significa que é hora de buscar ajuda de um psicólogo capacitado para que possamos recuperar o bem-estar.

Tudo tem dois lados. Até a dor. Sabemos que poucos sentimentos são tão dolorosos quanto ser rejeitado por alguém. Mas é preciso entender  que nós rejeitamos e somos rejeitados frequentemente. E isso é normal! Não encare a rejeição como uma assassina da sua autoestima. Encare como um descobrimento do próprio valor.

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