tdah

Provavelmente você já deve ter escutado alguém dizer as seguintes frases: “Ah, esse menino não para quieto” se referindo a uma criança agitada e inquieta, ou “Essa menina vive no mundo da lua!” se referindo a uma criança distraída. Esses comportamentos podem estar ligados a um transtorno, como podem ser características pessoais, tudo depende da frequencia em que ocorrem esses comportamentos e se prejudica a vida da pessoa. Vamos tentar clarear algumas dúvidas.

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, agitação, esquecimento, desorganização, adiamento crônico e impulsividade.

O TDAH é um transtorno de “base orgânica”, associado a uma disfunção em áreas do córtex cerebral, conhecida como Lobo Pré-Frontal. Esta região frontal é responsável pela inibição do comportamento (isto é, controlar ou inibir comportamentos inadequados), pela capacidade de prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento. Quando seu funcionamento está comprometido ocorrem dificuldades nestas áreas originando os sintomas.

Memória prospectiva é a memória do que ainda vai acontecer, como compromissos agendados para o futuro, consultas médicas, compromissos sociais, reuniões de trabalho, etc. Pessoas com TDAH têm problemas com esse tipo de memória e sem um lembrete do que precisam fazer elas simplesmente esquecem.

Quem possui o TDAH têm dificuldade também com sua memória disfuncional para tarefas cotidianas, podem se lembrar de que precisam fazer muito antes da situação acontecer e logo em seguida esquecer, ou lembrar muito depois, quando não há mais tempo para fazer. Essas pessoas têm uma grade dificuldade no manejo e resgate da memória operacional, literalmente perdem o ‘timing‘.

O TDAH se caracteriza principalmente por uma combinação de dois tipos de sintomas: Desatenção e Hiperatividade/impulsividade. Com o passar dos anos, o último manual de transtornos psiquiátricos, chegou ao consenso, de que o TDAH se apresenta sob três aspectos:

  • Tipo combinado: Quando o paciente apresenta seis ou mais sintomas de desatenção, impulsividade e hiperatividade;
  • Tipo predominantemente desatento: quando apresenta seis ou mais sintomas de desatenção, porém menos sintomas de hiperatividade e impulsividade;
  • Tipo predominantemente hiperativo/impulsivo: quando apresenta seis ou mais sintomas de hiperatividade/impulsividade e menos de seis sintomas de desatenção.

Além disso, a pessoa pode ter três diferentes graus de TDAH:

  • Leve: Poucos sintomas estão presentes além daqueles necessários para fazer o diagnóstico, e os sintomas resultam em não mais do que pequenos prejuízos no funcionamento social, acadêmico ou profissional;
  • Moderada: Sintomas ou prejuízo funcional entre “leve” e “grave” estão presentes;
  • Grave: Muitos sintomas além daqueles necessários para fazer o diagnóstico estão presentes, ou vários sintomas particularmente graves estão presentes, ou os sintomas podem resultar em prejuízo acentuado no funcionamento social ou profissional.

O DSM-5 tem alguns critérios que definem o diagnóstico de uma criança ou adulto com TDAH. Em primeiro lugar, é necessário que a pessoa apresente um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfira no funcionamento e no desenvolvimento. Para isto, ela precisa apresentar sintomas destes dois aspectos.

Sintomas comuns de desatenção:

  • Deixar de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares, de trabalho ou durante outras atividades;
  • Ter dificuldade de manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas;
  • Não escutar quando lhe dirigem a palavra;
  • Não seguir instruções e não termina deveres de casa, tarefas domésticas ou tarefas no local de trabalho;
  • Ter dificuldade para organizar tarefas e atividades;
  • Evitar, não gostar ou relutar em se envolver em tarefas que exijam esforço mental prolongado;
  • Perder objetos necessários às tarefas ou atividades;
  • Ser facilmente distraído por estímulos externos;
  • Ser esquecido em relação a atividades cotidianas.

Sintomas comuns de hiperatividade e impulsividade:

  • Remexer ou batucar mãos e pés ou se contorcer na cadeira;
  • Levantar da cadeira em sala de aula ou outras situações nas quais se espera que permaneça sentado;
  • Correr ou subir nas coisas, em situações onde isso é inapropriado ou, em adolescentes ou adultos, ter sensações de inquietude;
  • Ser incapaz de brincar ou se envolver em atividades de lazer calmamente;
  • Não conseguir ou se sentir confortável em ficar parado por muito tempo, em restaurantes, reuniões, etc.;
  • Falar demais;
  • Não conseguir aguardar a vez de falar, respondendo uma pergunta antes que seja terminada ou completando a frase dos outros;
  • Ter dificuldade de esperar a sua vez;
  • Interrompe ou se intrometer em conversas e atividades, tentar assumir o controle do que os outros estão fazendo ou usar coisas dos outros sem pedir.

Em geral, é preciso que a criança apresente seis ou mais desses sintomas por mais de seis meses antes de ser feito o diagnóstico. Já em adultos ou adolescentes (com mais de 17 anos), é preciso apresentar apenas cinco destes sintomas.

O TDAH na infância em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores. As crianças são tidas como “avoadas”, “vivem no mundo da lua” e geralmente “estabanadas” no quesito desatenção, ou “ligadas por um motor”, e “ligado nos 220 volts” no quesito hiperatividade. Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos. Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar mais problemas de comportamento, como por exemplo, dificuldades com regras e limites.

Em adultos, ocorrem problemas de desatenção para coisas do cotidiano e do trabalho, assim como a memória. São inquietos, vivem mudando de uma coisa para outra e também são impulsivos. Eles têm dificuldade em avaliar seu próprio comportamento e o quanto isto afeta os demais à sua volta. São frequentemente considerados egoístas, e têm uma coleção de outros problemas associados, tais como o possível uso de drogas e álcool, ansiedade e depressão.

Pode parecer inofensivo a princípio, mas quando multiplicado por todas as tarefas e eventos que precisam ser realizados, é fácil perceber que se torna um grande problema, não só para quem tem TDAH, como para pessoas que convivem com eles. Esquecer-se de pegar os filhos na escola, de pagar uma conta que está vencendo, de comparecer a uma consulta médica ou a um compromisso de trabalho, são coisas toleradas socialmente, quando eventuais. No entanto, se ocorrem com frequência, como no caso das pessoas com TDAH, acabam por se tornar problemas maiores, como desgaste dos relacionamentos conjugais, demissões, dívidas financeiras, entre outras tantas coisas, causando um tumulto crescente e contínuo na vida da pessoa.

De qualquer forma, não se pode desistir diante da dificuldade. Com persistência, disciplina, uso de estratégias e uma pitada de criatividade, a pessoa com TDAH pode sim desenvolver uma vida funcional. Por não ser considerada uma doença e sim um transtorno, o TDAH não tem cura, mas tem tratamento, que é possível através da ajuda de psicólogos, psicopedagogos, psiquiatras, pedagogos, entre outros profissionais. Muitas crianças podem precisar da combinação de medicamento e terapia para obterem um melhor resultado, mas isso só poderá ser determinado pelo médico.

Anúncios

2 comentários em “No Mundo da Lua á Mil Por Hora: Afinal o que é TDAH?

  1. É a ‘doença do momento’. Já perdi a conta de quantas pessoas eu vi diagnosticada com esse transtorno. O que me incomoda bastante. Eu mesma seria uma delas, já que minha infância foi um caos. Não gostava dos meus professores, não suportava os colegas de turma e acabei por estudar a casa porque aprendia rápido demais e não tolerava a lerdeza alheia. Eu ia de zero a cem em segundos e o contrário disso também. rá
    Enfim, não gosto de modismos, ainda mais em tempos em que os pais querem filhos gênios. Antigamente ser CDF era o fim, hoje é o máximo ser NERD. rá

    bacio

    Curtido por 1 pessoa

    1. Muito bom!
      Realmente muita gente hoje se autodiagnostica como TDAH por ser hiperativo ou desatento, por isso é muito importante ir ao médico e em um psicólogo ou neuropsicólogo fazer uma Avaliação Psicológica pois se for o caso de TDAH não é uma simples distração ou agitação, é algo que atrapalha e prejudica muito no dia a dia da pessoa em todas as áreas.

      Beijos!

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s