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Como disse Nelson Rodrigues, “Amigos verdadeiros não são aqueles que te acompanham nos momentos ruins de sua vida e sim aqueles que suportam o seu sucesso”. Podemos dizer assim que a Inveja está ao redor e pertence a nossa rotina, muito mais do que se imagina.

Todo mundo, em algum momento da vida, já sentiu vontade de ser como alguém. Existe até um lugar no cérebro reservado para a Inveja. Uma pesquisa científica mostra onde a Inveja e o shadenfreude, palavra alemã que dá nome ao sentimento de prazer que o invejoso experimenta ao presenciar o infortúnio do invejado, são processados na nossa mente.

A Inveja pode ser definida como um estado de espírito, dominado pelo desejo alternado de ser o outro, e de destruir o que o outro representa. A Inveja é o desejo do ser, assim como a ganância é o desejo do ter. Porém a Inveja é mais discreta, e assim mais perigosa. Seu alvo não é só o que os outros têm, mas o que eles são.

O invejoso, que não tem opinião própria fica admirado com o outro que tem e expressa sem receios. Assim a pessoa que desperta a inveja possui qualidades que atraem e fascina o invejoso. Essa situação poderia gerar uma relação positiva, de troca e amizade, mas o invejoso, em lugar disso, nega sua admiração e busca sujar a imagem do outro.

O fato é que a Inveja existe e está presente em todas as áreas do relacionamento humano. Entre amigos, colegas ou até familiares, são frequentes as Invejas motivadas por comparações do status de uma pessoa em relação à outra. Habitualmente, a Inveja é formada a partir do momento em que as qualidades do outro são comparadas, faltando uma avaliação do seu próprio potencial.

Um exemplo antigo é o crime bíblico cometido por Caim que acreditava que Deus privilegiava Abel. Em um caso famoso de lendas sobre a Inveja, é a do compositor italiano Antonio Salieri que teria supostamente envenenado Mozart, então com 36 anos.

A Inveja também tem seus exemplos na literatura, onde Shakespeare através de Iago representa a melhor expressão da Inveja que insinua em Otelo, a traição de Desdêmona, com o objetivo específico de destruir a felicidade dos outros. Já Dante representa a Inveja no Purgatório, com os olhos costurados com fios de ferro punindo-os por terem se alegrado de ver a desgraça dos outros. E até nos contos de fada, representado pela Rainha Má, que invejava a beleza de Branca de Neve.

A sociedade tem sua parcela de responsabilidade nessa situação, pois desde muito cedo as crianças são comparadas com aquela que é mais bonita ou com aquele que tira boas notas. Essas críticas comparativas geram um sentimento de inferioridade que faz com que elas se sintam incapazes de obter o que o outro tem. Na escola, na família ou na sociedade em geral a competição baseada na ideia de que o outro não pode ser melhor acaba por gerar insatisfação, fazendo crescer na sociedade um sentimento geral de competição.

A Inveja pode, apesar de tudo, ser positiva quando tomamos alguém bem sucedido como referência para também atingirmos o que ele conseguiu atingir, rumo ao sucesso. “Se ele/ela é assim, por que não eu?” Se torna uma motivação para a ação, uma competição saudável que estimula ir além, sair da zona de conforto. “Se ele/ela pode, eu também posso”. A Inveja, em seguida, evolui para uma possibilidade de avançar, ser confiante e assumir a responsabilidade para agir, crescer e realizar. Neste caso, é necessária uma autoestima que te faça ter confiança nas suas capacidades.

Por outro lado, o invejoso, sendo uma pessoa frágil, pode se render à sua própria insignificância provocando, antes disso, graves prejuízos na vida do invejado. A crítica é uma das reações do invejoso, sendo uma das formas mais sutis de invejar e, ao mesmo tempo, a mais evidente. Isto porque, sempre que se calunia alguém ou o critica destrutivamente é porque a pessoa está se sentindo inferior a outra, e assim surge a necessidade em falar mal da pessoa invejada.

Estes sentimentos de frustração e de inferioridade são gerados pelo fato de a pessoa não se sentir capaz de realizar ações úteis para si e para os outros, estabelecendo assim um complexo de inferioridade em relação á pessoa invejada. A Inveja sempre vem associada à baixa autoestima, ao medo, à insegurança, o sentimento de incapacidade e a sensação de injustiça.

Assim, quem sai mais prejudicado da Inveja não são os outros, mas quem inveja. Ela é destrutiva, corrói a autoestima e destrói o crescimento individual porque não produz mudanças favoráveis ao seu desenvolvimento pessoal. O invejoso, contaminado pelo ódio, considera como pessoas más as pessoas que são boas e, por não conseguir o que o invejado consegue, faz com que as qualidades do indivíduo fiquem escondidas. Frustrado, e por negar os seus próprios sentimentos negativos, o invejoso coloca todo o tipo de sentimentos maus na pessoa que ele inveja.

O invejoso, assim, acaba mentindo e torcendo a verdade, começando por sua própria percepção das coisas. De fato, o trabalho de difamação do outro se instaura dentro dele próprio, antes de alcançar o outro. Ele enxerga as coisas de forma distorcida e acredita tanto no que vê que quando passa para as outras pessoas parece sincero, e pior, parece vítima.

Ele sufoca tanto a realidade que acredita mesmo no que fala. E precisa fazer isso, porque não suportaria reconhecer sua própria inveja. Assim cria uma bola de neve venenosa em direção ao invejado com o intuito de eliminá-lo do território, e assim não ter que conviver mais com a realidade da sua própria incapacidade e fraqueza.

A psicoterapia pode ser um recurso de grande valor nesses casos, uma vez que trabalha no sentido do indivíduo se encontrar, ter um grande encontro consigo mesmo no reconhecimento de seus aspectos bons e positivos. A estabilidade do vínculo terapêutico e o que se vive nele podem resgatar as estruturas básicas emocionais do indivíduo causando um maior bem estar consigo mesmo e com o mundo.

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