Desde que Adão e Eva contaram a primeira mentira da história da humanidade, o que caracteriza nossa espécie é o esconder a verdade. Todo ser humano trapaceia, mente e engana, inclusive você! Ah, não? Então você diz com todas as letras que não gostou daquele presente que a pessoa que te deu de aniversário com todo carinho?

Procuramos sempre desculpas para comportamentos que a sociedade pode ver como inadequados. Assim, inventamos um engarrafamento como pretexto para um atraso, ainda que não tivéssemos a menor intenção de ser pontual. 

Muitos antropólogos acreditam que esse nosso talento não constitui absolutamente uma capacidade para a maldade. Sua origem compõe um elemento decisivo de nossa inteligência social.

Uma mentirinha necessária sobre o novo corte de cabelo da sua amiga com certeza presta maior serviço à convivência pacífica que a franqueza. Assim várias de nossas mentiras resultam do desejo de dar uma alegria a nosso semelhante ou de, pelo menos, não o ofender sem necessidade.

As razões pelas quais as pessoas mentem são diferentes em cada situação. Assim, compreender suas verdadeiras razões pode ser uma tarefa difícil, já que muitas vezes nem elas mesmas sabem. Existem diferentes tipos de mentiras e se classificam os mentirosos em quatro tipos muito específicos:

  • Mentiroso eventual:  Este tipo de mentiroso não costuma mentir, mas pode tentar para se proteger ou proteger alguma outra pessoa. Sua mentira é uma maneira de enfrentar o medo de alguma parte da sua realidade, e costuma pensar muito bem no que vai dizer para evitar contradições, mas como não está acostumado a mentir, seu corpo o trai;
  • Mentiroso freqüente: Diferente do mentiroso eventual, este mentiroso não perde tempo para analisar seus argumentos, porque está sempre mentindo e já sabe como fazê-lo. Apesar de sua experiência, seu corpo e expressões corporais muitas vezes contradizem suas palavras e ações;
  • Mentiroso natural: Este tipo de pessoa mente continuamente e às vezes já não é capaz de diferenciar as mentiras das verdades. Costumam cair em contradições óbvias que depois tratam de corrigir com argumentos muito sofisticados. Diferente do mentiroso frequente, os sinais físicos do mentiroso natural parecem apoiar os argumentos verbais, pois a conexão com as suas mentiras é muito forte. No entanto, quando é pressionando com perguntas, seus sinais corporais demonstram a contradição.
  • Mentiroso profissional: Este tipo de pessoa mente para conseguir um objetivo específico. Tende a estudar os nossos argumentos e sabe o que dizer. Além disso, costuma treinar para dominar sua linguagem corporal e passar a imagem que deseja. Pode se dedicar a atividades ilegais (como golpista), mas também pode ser um profissional de sucesso que depende da mentira para sobreviver (como vendedor ou político). Apesar de seu treinamento, existem pequenas características e detalhes que revelam as suas mentiras.

O primeiro passo para entender o comportamento de alguém que mente é entender o porquê dessa pessoa estar mentindo e qual a razão para ela se comportar dessa forma. A mentira pode ter algumas explicações, como por exemplo, uma forma de fugir de um controle, de alguém que ameaça e dá bronca, ou uma forma de fazer com que o indivíduo sinta-se melhor.

Podemos exemplificar com a ameaça de uma namorada ao namorado: “Se você sair hoje a noite, eu vou para a balada com minhas amigas”. Dessa forma o namorado se sentirá ameaçado e responderá “tudo bem, vou ficar em casa”, porém o namorado está mentindo e irá para um bar com os amigos depois que a namorada já não poderá mais encontrá-lo. Neste caso, o namorado evitará o término do namoro e ainda conseguirá fazer o que deseja.

A criança quando ameaçada também agirá de forma defensiva, como exemplo a mãe diz: “Se você não comer a fruta que mandei pro seu lanche na escola, não ganhará aquele presente”, e então a criança na hora do intervalo pega sua maçã e joga no lixo ou dá pra algum coleguinha. Assim ela evitará a bronca e ganhará o presente esperado. 

A mentira também serve para proteger e manter o vínculo, pois ás vezes a verdade nua e crua pode ser muito cruel. Tem que ter limite, calar-se e esperar momento mais adequado para falar, é a melhor saída. Alguma vez na vida, todos nós já caímos na tentação de inventar algo.

Mais do que uma falha de caráter, mentir é uma questão de sobrevivência. A ciência mostra que nossos ancestrais da Idade da Pedra já mentiam, quando não conseguiam alcançar seus objetivos por meio da força bruta, tinham que recorrer a outras técnicas mais sutis de manipulação. Podia ser para manter o respeito do grupo, para fugir de um predador, para conseguir alguém para acasalar ou para exercer a liderança sobre um grupo. 

Ou seja, mentimos por causa das muitas vantagens adaptativas que a arte da dissimulação proporcionou aos nossos antepassados, e que continua a nos proporcionar. Sem a mentira, a vida em sociedade viraria do avesso, imagina só o que seria a vida se você resolvesse dizer a todos os seus amigos o que realmente pensa de cada um deles. 

As crianças mentem para não serem punidas.  Na infância, até os cinco, seis anos a criança não consegue distinguir claramente a realidade da fantasia, a partir dos sete anos aproximadamente, ela já sabe o que é mentira e pode usá-la em beneficio próprio. Na adolescência a mentira surge para que sejam aceitos e amados, para atender ao desejo de fazer o que querem e a realidade de atender ao que esperam deles. Mentir é estratégia comum entre os adolescentes para conseguir fazer as coisas que sabem que os pais não deixam.

Crianças e adolescentes podem se tornar mentirosos compulsivos ao descobrirem que a mentira sacia a curiosidade dos pais ou os ajuda a serem aceitos e valorizados pelas pessoas, em especial por outras crianças e adolescentes.

Deve-se entender, assim, que ao repreender a criança ou o adolescente, é essencial evitar exageros. Quando os pais são muito severos o sentimento de medo ou culpa que se desenvolve pode dificultar o “dizer a verdade”. Nesses casos o adolescente  pode sentir necessidade de mentir para não ser castigado ou para não desapontar os pais. É fundamental que na relação com os pais haja confiança para ele dizer a verdade, sem ameaças de punições, censuras ou castigos.

Assim, a mentira é natural do ser humano, mas será que essa mentira surge por sobrevivência ou pelo prazer de enganar? O ato de mentir em excesso pode ser sinal de uma patologia. O comportamento pode começar com pequenas mentiras e terminar em um quadro clínico. A mentira em excesso ou compulsiva certamente deve ser considerada um distúrbio a ser tratado.

O sociopata e o usuário de drogas são exemplos de quem usa a mentira para alimentar sua doença e para se reafirmar como pessoa. O ato de mentir pode significar um esforço do indivíduo para preservar, diante de si próprio ou do outro, suas convicções, imagem, crenças ou valores. A mentira pode ser circunstancial, episódica e sem gravidade, ou pode se tornar um traço de caráter de natureza compulsiva e até perversa.

Em relação á patologia, nos estados limite, chamados Borderline, a mentira revela a falta de barreiras que regulam o comportamento do indivíduo. Na Psicose a mentira está presente nos delírios, o psicótico acredita nos delírios por ele criados para fugir da realidade e do sofrimento que essa realidade lhe impõe. No caso da Mitomania, a mentira é como um vício, o mentiroso é dependente emocional da mentira, ele é incapaz de se controlar, quando vê a mentira já foi contada e para mantê-la mente mais e mais. Esta patologia causa muito sofrimento e a terapia é uma saída para enfrentar o problema.

De toda forma, não é porque é inerente ao ser humano que devemos sair mentindo a toda hora por aí. Algumas mentiras podem nos ajudar a sobreviver na sociedade, mas devemos lembrar sempre que quem escuta a mentira pode sair magoado, a qualquer momento podemos ser descobertos, portanto evite a mentira sempre que necessário.

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