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O medo é uma reação natural, quando nos encontramos em situações que podem tornar-se perigosas. O suor, o aumento do ritmo cardíaco e respiratório, a tensão muscular, etc., todas essas sensações nos preparam para reagir perante uma situação inesperada. O medo faz parte da vida. A forma como lidamos com ele é que são elas.

As crianças, quando sentem medo ou temor de alguma coisa, reagem chorando ou gritando. Assim conseguem chamar a atenção dos adultos, que são os encarregados de protegê-las frente a um possível perigo.

É natural e esperado que as crianças sintam medo. A ausência dele, em certas idades, é até preocupante, por exemplo, se uma criança não desenvolve o medo instintivo de altura, ela pode engatinhar até a beira da cama ou do sofá e cair.

O medo infantil é classificado em duas classes distintas: o medo irracional que é fruto da fantasia, e o medo defensivo que é uma reação natural, e age na preservação da própria vida. Assim para lidar com os medos infantis, é preciso oferecer segurança à criança e nunca subestimar seus medos, respeitando o medo que ela sente, pois desmoralizar a criança só piora.

Dizer “Não precisa se preocupar, não tem por que ter medo de cachorro” não tem efeito nenhum. Em vez disso, ofereça segurança: “Sei que você fica assustado com cachorro, mas nós vamos passar por ele juntos. Se precisar, pego você no colo”. É claro que, depois, quando ele estiver mais calmo, você pode conversar sobre cães, mostrar livrinhos, tentar amenizar o seu medo sem recriminá-lo. 

A criança pode dizer para o adulto, por exemplo, que está com medo do monstro. O adulto sabe que monstros não existem, mas a criança não, porque ela ainda mistura realidade e imaginação. Dizer a ela que monstros não existem não irá acalmá-la. Nesse momento, o importante é acolher e mostrar que ela está protegida e em segurança.

Quando uma criança sente medo, o ideal é evitar rir dela ou do seu medo. O importante é desdramatizar a situação, mas lembrando que isso está assustando a criança. Não devemos obrigar a criança a enfrentar de forma brusca aquilo que ela teme, muito menos ameaçá-la. O sentimento dela é real e precisa ser compreendido.

A reação dos adultos é muito importante para as crianças, visto que somos os modelos a seguir. Assim, elas notam que diante de algumas coisas que lhes pareciam terríveis, como o trovão, os adultos estão tranquilos e percebem que não se trata de um perigo terrível, porque os adultos, que são os responsáveis pelo seu bem-estar, não têm medo, então não há o que temer. Perante situações perigosas, precisamos ensiná-las a ser prudentes, mas com reações proporcionais ao tipo de perigo que aquelas situações representam.

Respeito e apoio são importantes, mas não suficientes. Ao lidar com os medos da criança, é necessário ter coerência. Não adianta dizer que o Homem do Saco não existe quando a criança chora à noite, mas na manhã seguinte falar em alto e bom som que o mesmo Homem do Saco vem pegá-la se ela não comer toda a comida.

Embarcar na fantasia da criança também pode ser uma opção. Tem um monstro no armário? Deixar a criança correr para sua cama pode ser mais fácil, mas significa admitir que existe mesmo uma criatura no guarda-roupa. O ideal é ajudar a criança a encarar o medo do que a fugir dele. Pegue seu filho pela mão, olhe o armário e diga que, por precaução, vocês vão trancá-lo, assim, se o monstro aparecer no meio da noite, vai ficar preso ali. Amenizar o medo infantil usando a própria imaginação da criança pode ser uma boa saída.

Uma criança assustada às vezes consegue superar o medo se você lhe der uma explicação simples e racional sobre o que está acontecendo.  Por exemplo, explique que a ambulância precisa fazer um barulho alto para que outros carros saibam que têm que sair do caminho. Para algumas crianças, uma demonstração pode ajudar. Seu filho pode ficar aliviado ao ver que o aspirador de pó suga migalhas, areia e sujeira, mas não consegue pegar o brinquedo dele ou seus dedinhos.

Os temores de cada criança variam de acordo com as experiências de cada um. Uma criança que cai da bicicleta e é levada para o hospital pode desenvolver medo de hospital, de bicicletas ou até de um objeto menor associado ao trauma – jalecos ou estetoscópios, por exemplo. Mas existem alguns medos comuns a cada faixa etária:

  • 0 aos 6 meses: As reações de medo são relacionadas a ruídos fortes ou perda de segurança;
  • 7 aos 12 meses: A criança pode começar a estranhar pessoas e também surge o medo de altura;
  • 1 ano: Aparece o medo da separação, manifestado quando ela se distancia dos pais, também pode aparecer o medo de se machucar;
  • 2 anos: A criança teme ruídos fortes, como o de aspirador de pó, ambulância, trovão; continua o medo da separação dos pais; ela estranha crianças e situações desconhecidas, como ter de entrar numa sala escura (como um cinema ou teatro);
  • 3 anos: Surge o medo do escuro; continua o medo separação dos pais; ela se assusta com máscaras ou rostos cobertos (palhaço, pessoas fantasiadas);
  • 4 anos: A criança pode desenvolver medo de animais e de ruídos noturnos;
  • 5 anos: Surgem os medos de “pessoas más” (ladrão, Homem do Saco);
  • 6 anos: A fase é dos medos fantásticos: fantasma, bruxa, Bicho Papão. Também costumam aparecer o medo de dormir sozinho e da morte.

É natural que toda criança tenha algum temor na infância, porém existe uma diferença significativa entre medo e fobia. O medo é um sentimento natural, e até de instinto de sobrevivência, já a fobia podemos designar como um sentimento patológico e um temor sem sentido.

O importante é observar mudanças bruscas de comportamento como problemas físicos recorrentes, mudança de humor ou desinteresse por atividades que antes eram exercidas com prazer. Estes sinais podem indicar que o temor passou dos limites.

Nos casos em que o medo é intenso e mesmo com toda a ajuda e atenção, os pais não consigam obter sucesso é necessário o acompanhamento de um psicólogo. A ação do psicólogo irá fazer com que a criança adquira autoconfiança e aprenda a lidar com o medo, além de fazer com que os pais tomem conhecimento da situação.

O que se espera é que o pequeno aprenda a dominar seus temores e não ser dominado por eles, assim como acontece com os adultos. A diferença é que meninos e meninas têm uma percepção mais inocente dos acontecimentos, uma imaginação bastante fértil e uma menor capacidade de discernimento dos fatos. Esses três ingredientes juntos transformam aquele fantasma do filme na mais pavorosa ameaça à vida humana.

Os pais devem procurar entender o mundo da criança, e para isso é preciso entrar nesse mundo. O mundo infantil é repleto de fantasias e de muitas dúvidas. Os temores que fazem com que a criança muitas vezes entre em pânico são frutos da sua rica e fértil imaginação infantil.

No entanto os pais devem levar tudo muito a sério, para não comprometer o desenvolvimento emocional da criança. Assistir filme infantis que fale sobre esses sentimentos de uma forma divertida, e ler livros sobre o tema adequados para sua idade é uma opção. Algumas boas indicações de livros são a coleção “Quem tem medo de quê?”, da Ruth Rocha, ou “O que fazer quando você se preocupa demais” de Dawn Huebner.

Como a maioria das etapas da infância, os medos são fases que serão superadas. Com o passar dos anos, o amadurecimento emocional faz com que tudo isso desapareça, naturalmente.

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