suicidio-adolescencia

No mês do Setembro Amarelo, pretendo trazer mais informações sobre este tema tão temido e pouco falado que é o Suicídio. O comportamento suicida é classificado em três categorias: ideação suicida, tentativa de suicídio e suicídio consumado.  Em um dos extremos existe a ideação suicida que são os pensamentos, ideias, planejamento e desejo de se matar; e no outro extremo, o suicídio consumado, sendo que entres os dois há uma tentativa de suicídio.

Assim, a decisão de cometer suicídio não acontece de maneira rápida, pois, geralmente, o indivíduo que comete o suicídio manifestou algum sinal relacionado à ideia antes de atentar contra a própria vida. Da mesma forma, existe uma grande probabilidade de, após uma primeira tentativa de suicídio, outras surgirem, até que uma possa ser fatal.

Segundo dados da OMS, a taxa mundial de suicídio é estimada em torno de 16 por 100 mil habitantes, com variações conforme sexo, idade e país. Calcula-se que as tentativas de suicídio sejam 20 vezes mais frequentes que o ato consumado. Em termos globais, a mortalidade por suicídio aumentou 60% nos últimos 45 anos; neste período, os maiores números mudaram de faixa etária, da mais idosa para a mais jovem, sendo esta considerada atualmente o grupo de maior risco em 30 países.

Nas últimas décadas se tem observado que o comportamento suicida tem aumentado entre os jovens, a maioria dos suicídios ocorre entre crianças maiores de 14 anos, entretanto, em alguns países, ocorre um aumento alarmante nos suicídios entre crianças menores de 14 anos, bem como na faixa etária dos 15 aos 19 anos.

A adolescência é um período do desenvolvimento marcado por diversas mudanças biológicas, psicológicas e sociais, que geralmente, são acompanhadas de conflitos e angústias, assim um sofrimento que o adolescente vivencia nesse período pode marcá-lo profundamente.

Nessa fase é comum acontecerem movimentos de dependência e independência extrema, caracterizando um período de contradições e ambivalências. No entanto, muitos desses comportamentos extremos, manifestados pelos adolescentes, podem ser apenas uma busca de sua identidade, sendo superados naturalmente. Os pensamentos suicidas tornam-se anormais quando este parece ser a única solução dos problemas, tornando-se, então, um sério risco de tentativa de suicídio ou suicídio.

Assim o que nos ajuda a distinguir um jovem saudável de um que se encontra próximo a uma crise suicida são a intensidade desses pensamentos e sua profundidade, bem como o contexto em que surgem e a dificuldade de esquecê-los. O desejo de morrer representa a insatisfação desse adolescente com seu modo de vida no momento atual.

O adolescente por ter uma tendência natural em se comunicar através da ação, ele poderá buscar alternativas diversas para aliviar seu sofrimento e conflitos como fazer uso de drogas, manifestar depressão, apresentar ideação suicida, tentar o suicídio ou buscar a morte.

Assim as causas de suicídio mais comuns na adolescência são:

  • Um distúrbio psicológico, especialmente depressão, transtorno bipolar, e álcool e uso de drogas (na verdade, cerca de 95% das pessoas que morrem por suicídio tem um transtorno psicológico no momento da morte);
  • Sentimentos de angústia, irritabilidade ou agitação;
  • Sentimentos de desesperança e de inutilidade que frequentemente acompanham a depressão (um adolescente, com problemas na escola, ou que é dominado pela violência em casa, ou que esteja isolado);
  • Uma tentativa de suicídio anterior;
  • História familiar de depressão ou suicídio (doenças depressivas podem ter um componente genético);
  • Abuso físico ou sexual;
  • Falta de uma rede de apoio, nas relações com os pais ou colegas, e sentimentos de isolamento social;
  • Lidar com a homossexualidade numa família, comunidade ou ambiente escolar que não apoie essas diferenças;
  • A discriminação na escola provinda de Bulling e Cyberbulling.

Dessa forma o suicídio entre adolescentes muitas vezes ocorre após um evento estressante, tais como uma falha percebida na escola, um relacionamento que acabou, o falecimento de um ente querido, um divórcio, ou um grande conflito familiar.

É importante estar atento as manifestações do jovem que está considerando o suicídio. Ele pode insinuar que é um fardo para as pessoas e que em breve deixará de prejudicar os outros, ou pode referir que a vida não tem sentido de ser vivida e que a sua morte seria um alívio para todos. Devemos, então, ter atenção especial com os adolescentes que repentinamente melhoram de um episódio depressivo, se apresentam alegres, começam a arrumar o quarto, jogar coisas fora e a se desfazer dos seus objetos preferidos. Essa alegria inesperada pode representar que “encontraram a solução”, decidindo se matar durante o episódio depressivo.

Esses adolescentes que tentam suicídio se sentem só e desesperados, sendo o desespero um sentimento de urgência de que ocorram mudanças na sua vida, somado à desesperança de que essas mudanças possam realmente acontecer, e à crença de que a vida é impossível se não acontecerem essas mudanças.

Muitas vezes, os adolescentes pedem ajuda publicamente, por exemplo, por meio das redes sociais, expondo seus pensamentos mais negativos. Estes sinais devem ser levados a sério, e não ignorados, pois são pedidos de socorro que precisam de respostas antes que seja tarde demais.

Um adolescente que está pensando em suicídio pode:

  • Falar sobre o suicídio ou morte em geral;
  • Falar em “ir embora”;
  • Falar de um sentimento de desespero ou de se sentir culpado;
  • Afastar-se dos amigos ou da família;
  • Perder o interesse nas coisas que normalmente gostava muito de fazer;
  • Ter dificuldade em concentrar-se ou pensar claramente;
  • Mudar os hábitos de comer edormir;
  • Ter um comportamento auto-destrutivo (álcool, drogas ou conduzir muito rápido, por exemplo).

Assim é essencial que o adolescente tenha uma rede de apoio acolhedora que perceba que há pessoas que se preocupam com ele e com seus problemas, que se importam e que estão disponíveis para conversar, sem julgá-los. É importante passar para esse adolescente a mensagem de que há sempre soluções para os problemas ou outra forma, que não o suicídio, para lidar com eles, e dar a oportunidade para que o adolescente se abra, fale sobre as suas emoções e assim ajudá-lo para que se sinta menos desesperado.

Sempre que o seu filho expressar que se sente triste ou deprimido, não tenha medo de conversar sobre esses sentimentos com ele. Se ele falar em suicídio não evite o tema, você não vai colocar mais ideia na cabeça dele ao conversar sobre o assunto, mas sim lhe transmitir uma atitude aberta e disponível para escutar os seus pensamentos e assim ser mais capaz em apoiá-lo, conhecendo melhor as suas ideias relacionadas ao suicídio e assim descobrir a ajuda mais adequada, especialmente se ele já tiver um plano.

Se sentir que é necessário procure recursos como médico psiquiatra, psicoterapia individual, grupos terapêuticos e reforce a rede social e familiar do seu filho. Ao longo de todo o processo, lembre-se sempre de apoiar o seu filho, relembrando-o sempre do valor que tem, como é amado e como é tão importante para si, para a sua família e amigos. O amor e suporte dos pais contribuem fortemente para que o seu filho adolescente ultrapasse o sofrimento e recupere a vontade de viver.

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s