trans

Neste artigo vamos falar de um tema polêmico; na sociedade atual, ainda há um grande preconceito com o que foge do que se entende por normalidade, e por esse motivo o Transgênero acaba sendo mal compreendido e muito repreendido.

Ao longo do tempo sempre existiram muitos casos de Transgênero, mas é um assunto pouco falado por ser um tema tabu. Ultimamente o tema acabou ficando em evidência devido a vários relatos de pais que passaram por dificuldade em lidar com seus filhos nessa situação.

O relato de Marlo Mack, pseudônimo utilizado pela mãe de uma menina Transgênero de sete anos, cujo nome é descrito apenas como M, compartilha as dúvidas e alegrias de aceitar que sua filha é Transgênero desde os quatro anos no seu blog “Gender Mom”.

Assim eu trouxe alguns relatos que pode ajudar os pais a compreender melhor esse transtorno e a melhor forma de lidar:

“Minha filha, aos três anos, me disse que era uma menina. Ela me olhou nos olhos e disse, Mamãe, alguma coisa deu errado na sua barriga que me fez sair menino ao invés de menina. Ela queria voltar para dentro de mim para que ela pudesse sair de novo, como menina.”

“Eu tentei incentivá-la a fazer atividades mais masculinas, sugeri aulas de caratê quando ela pediu para entrar na aula de balé (nós chegamos a um meio-termo matriculando-a numa aula de ginástica olímpica mista). Ela queria um guarda-roupa todo cor-de-rosa; eu insisti em vermelho, roxo, azul pastel. Eu a incentivei a brincar mais com meninos e passar mais tempo com seu pai.”

“Depois de meses lutando comigo (‘Eu sou menina!’), a criança estava desistindo. Ela deixou de me corrigir quando eu usava o nome de menino que ela odiava, dava de ombros quando eu sugeria novamente que ela fizesse caratê, e observava silenciosamente com tristeza o brilho do rosa proibido no corredor de meninas da loja de brinquedos.”

“Eu decidi que já não dava mais. Eu sentei com minha filha, olhei nos olhos dela, e perguntei pela última vez: ‘Você quer mesmo ser menina?’. Eu não quero ser menina, mamãe, ela disse. Eu sou menina. Três anos mais tarde, eu sou a mãe de uma filha transgênero de sete anos, esplendidamente feliz e confiante.”

O Transgênero, segundo um estudo de Natacha Kennedy, da Universidade de Londres, significa Transtorno de Identidade de Gênero (TIG), sendo suas causas biológicas e não ambientais e/ou culturais e se dá durante a gestação.

Assim, o Transgênero existe devido a não associação da pessoa pelo que ela sente que é, e pelo modo como é vista pelos outros. Por exemplo: o menino não se percebe como menino, mas sim como uma menina, apesar de possuir características físicas (corporais) masculinas. Isso pode acontecer tanto pelas características físicas quanto por comportamento ou vestuário, e as primeiras evidências surgem na primeira infância.

Este transtorno é sustentado pela identidade sexual, ou seja, a maneira como a criança se identifica e se reconhece, mas nem sempre o corpo confirma aquilo que ele pensa e sente, assim os Transgêneros são os sexos cerebrais. O sexo está ligado ao órgão genital, pênis ou vagina; e o gênero é o comportamento, postura e atitude que a sociedade espera e impõe. A frase mais ouvida entre eles é: “estou no corpo errado”.

Assim é importante lembrar que identidade de gênero e atração sexual são coisas muito diferentes, por isso ser Transgênero não significa ser homossexual. O homossexual se reconhece no seu sexo de origem, mas sente atração por pessoas do mesmo sexo que o seu; já o Transgênero não se reconhece no seu sexo de origem, por exemplo, seu corpo é masculino, mas ele só se reconhece como uma mulher, seu corpo não combina com sua identidade.

O sistema básico de crenças e valores de uma criança costuma ser moldado até os 7 anos de idade e o desenvolvimento (formatação) do sistema nervoso ocorre aproximadamente até os 5 anos, sendo assim, ela pode rejeitar sua imagem por diversas razões. A incompatibilidade com o corpo vai se manifestar de uma forma mais acentuada à medida que esta criança se desenvolve. Os sinais mais evidentes são revelados nas brincadeiras, escolhas de brinquedos e roupas.

No entanto, aquele garotinho que quer experimentar a fantasia de princesa de sua irmã pode estar apenas experimentando novas cores e novos estilos, ou a menininha que quer cortar o cabelo curtinho na nuca pode estar apenas incomodada com o cabelo que a atrapalha brincar, isso não quer dizer que eles são Transgênero. Muitos garotos amam as princesas, e muitas meninas gostam de esporte e cortes de cabelo sem frescura. Isso não quer dizer necessariamente que eles são Transgênero.

Não há qualquer tipo de exame que se possa fazer, mas muitas vezes as crianças que vão “persistir” em sua identidade Transgênero possuem atitudes como:

  • Elas afirmam que são de outro gênero, ao invés de dizerem que gostariam de ser de outro gênero;
  • Nojo ou insatisfação com o próprio genital ou com o próprio corpo de maneira geral, como, por exemplo, ter vergonha de mostrar o corpo em público e não gostar de se olhar no espelho pelado, pode indicar disforia de gênero;
  • É muito comum que crianças Transgênero peçam para usar roupas íntimas de acordo com o gênero com as quais se identificam;
  • Quando se pergunta para essas crianças como elas se enxergam quando crescerem, a resposta vem num gênero diferente daquele com que nasceram;
  • Crianças Transgênero podem ser crianças tristes ou antissociais, devido à represália social constante ao seu comportamento “diferente”, muitas têm receio de brincar com outras crianças, ou podem ter a sensação que elas são uma vergonha para seus pais, mas ao ganharem a liberdade de usar as roupas e o cabelo adequado a seu gênero verdadeiro, esses sintomas desaparecem.

Estes sinais são apenas indícios, pois não há um manual de regras para se identificar uma criança Transgênero. Assim o melhor a se fazer é escutá-las, ninguém sabe melhor sobre seu gênero do que você mesmo, e o mesmo vale para as crianças. O ideal seria perguntar a elas: “Qual é seu gênero quando você está sonhando?”.

Dessa forma a participação e compreensão dos pais são essenciais. Os pais devem ser tolerantes e pacientes, evitando sempre adotar uma postura preconceituosa, constrangedora ou de reprovação. Precisam compreender a situação, manter o diálogo e ajudar a criança no que for necessário, amando e respeitando sempre esse filho.

A busca por médicos especializados nesse tipo de assunto, também é uma alternativa, pois com o acompanhamento médico correto, as crianças Transgênero podem, ao entrar na puberdade, iniciar o tratamento hormonal, que inibirá o corpo de tomar formas do sexo que não se identifica.  Além disso, o tratamento hormonal permite ao indivíduo desenvolver algumas características do seu gênero, por exemplo, no tratamento de uma mulher Transgênero, o hormônio induz o crescimento de mamas, suaviza os traços no rosto e afina voz. Já no tratamento de Transgêneros masculinos, crescem os pelos, a voz fica mais grave, feições mais brutas e interrompe a menstruação. Ao chegar à maioridade os Transgêneros podem fazer a cirurgia de mudança de sexo.

De toda forma o mais importante é que se consiga encontrar uma forma de ser feliz mesmo com todas as dificuldades. A ajuda de um psicólogo se torna essencial para ajudar essas crianças a entenderem o que se passa com elas e ajudar os pais a compreender seus filhos, podendo, assim, enfrentar juntos o preconceito e os dilemas que irão passar.

 

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4 comentários em “Nascidos no Corpo Errado: o Dilema das Crianças Transgêneros

  1. Quando comecei a ler o texto, imaginava que a psicologia infantil apresentaria uma solução para “consertar” tal desvio comportamental (desculpe não encontrei palavra melhor). Não há nada que os pais possam fazer para mudar isto antes dos sete anos da criança? Ou seu Destino como transgênero já está traçado?

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    1. O artigo visa informar e orientar a melhor forma de lidar com essas crianças, os transgêneros possuem um transtorno, não é apenas um desvio de comportamento, que é o Transtorno de Identidade de Gênero, assim como os outros transtornos não existe uma cura, existe a aceitação e a melhor forma de aliviar os sintomas, assim como Transtorno de Déficit de Atenção, ou os transtornos de personalidade. Não é uma escolha da criança, é um transtorno que impossibilita a criança de se reconhecer no seu sexo de origem, seu cérebro lhe manda outra informação. Portanto de acordo com relatos de todos os pais que passaram por isso a melhor forma que eles encotraram é acolher essas crianças e ajudá-las a se entender, pois forçá-las a viver o que elas não acreditam podem trazer problemas mais sérios como a depressão infantil. Espero ter esclarecido! Obrigada

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      1. Entendo, claro. Apenas pensei que antes dos sete anos, com o cérebro e personalidade ainda se formando este transtorno pudesse ser revertido e curado através da psicologia infantil. Este é o consenso do CFP ou ainda está em debate?

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  2. De acordo com o parecer sobre o PDC 234/2011 do CFP: “A orientação sexual, tudo indica, não é uma opção. Nem homossexuais
    sabem quando e como se tornaram homossexuais, nem heterossexuais sabem quando e como se tornaram heterossexuais. Opção é a ação de escolher, decidir entre duas ou várias alternativas. Desta forma poder-se-ia, em algum momento, mudar a opção inicial. Em se tratado de transtorno de identidade de gênero, as evidências científicas são cada vez mais fortes no sentido de que ela não é
    uma escolha pessoal. Isto significa que ela não pode ser mudada
    voluntariamente por intervenção de um trabalho psicoterapêutico ou qualquer outro referente ao profissional da Psicologia.” Em relação a formação da personalidade aos sete anos, isso é questionável, pois a formação da personalidade ocorre com o desenvolvimento da criança e depende de cada uma como qualquer outro processo, o psicomotor e cognitivo. E a Identidade de Gênero não é uma característica da personalidade da criança que pode ser moldada, a criança que nasce do sexo feminino que não é transgênero ela se sente mulher desde que se reconhece por ser humano, e assim acontece com a crianças transgêneros só que se reconhecem com um sexo diferente do seu de origem.

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