termino.jpg

Relacionamentos amorosos possuem um ciclo de vida muito parecido com o nosso enquanto ser humano. Primeiramente, deve nascer, depois ser construído e desenvolvido, para então se tornar firme e sólido. Assim como também deve passar por cuidados e atenções continuamente, para que essa relação tenha uma vida longa e saudável.

Assim, uma relação deve ser cuidada e alimentada e receber investimento contínuo, no tempo e limite certos, para poder chegar a algum futuro saudável. Então, partindo da ideia que toda relação nasce e cresce, devemos então entender que toda relação morre ou pode morrer. Tanto sentimentalmente (em perdas de certos encantos) como por vezes na concretude (separação).

Uma relação amorosa pode acabar passando por uma angustia maior do que o casal ou apenas um dos dois, consegue suportar, como decepções, traições, agressões, mentiras, egoísmos exagerados, ciúmes intensos. Situações como estas podem ser a justificativa para determinar o fim, isto é, a morte, daquela relação.

Esta morte não precisa estar ligada somente a ideia de separação. Muitas vezes o casal opta por continuar ou recomeçar sua história e ficam juntos. Mas aquele impacto ou abalo vivido, com certeza, alterou suas histórias e daqui por diante tendem a ser outro casal, logo essa será uma nova história, pois aquela primeira acabou, morreu, restando então o luto. E este luto, deve ser vivido e assumido, para que possam ter uma chance real de um novo futuro, ou viverão amargurando a frustração.

O luto é uma reação sentimental ligada às perdas importantes em nossas vidas. É uma fase transitória, mas com tempo indeterminado de duração, pois sua vivência é sempre particular para cada indivíduo e com certeza sua intensidade, impacto e tempo será determinado pela ideia que aquela pessoa possui sobre perdas. O luto de uma relação amorosa é muito próximo da ideia que temos de luto, quando morre um ente querido, assim o ser humano transita entre fases, etapas reativas:

  • Negação ou isolamento: que envolve se isolar, não falar sobre, ou não admitir a ideia de perda, é um mecanismo de defesa para se proteger da dor;
  • Sentimento hostil: surge a raiva, agressividade, hostilidade, inveja entre outros sentimentos negativos, por não conseguir mais negar aquele fim;
  • Negociação ou barganha: após perceber que a hostilidade também não resolveu a dor da perda, começa então, uma tentativa desesperada de negociação com a própria emoção ou com quem achar ser o culpado de sua perda. Promessas, pactos, orações e outros recursos são muito comuns;
  • Depressão ou choro: este é um momento de desolamento, tristeza, culpa e desgaste. A consciência já não permite mais que se negue ou que camufle aquele fim e a dor é percebida na realidade;
  • Aceitação: neste momento os movimentos da pessoa são em busca de uma superação, um desejo de lidar com aquela realidade e dor e não mais lutar contra. As emoções se tornam mais contidas e a busca de paz se torna o rumo;
  • Esperança: após certo tempo na aceitação a pessoa passa a apresentar uma ideia de continuidade vital, voltando a fazer planos, desejar algo novo e acreditando que pode ter outro futuro. E este movimento faz uma transição ou um fechamento do luto para uma nova história.

Dessa forma o fim de um relacionamento, como muitos já devem ter vivenciado, é um momento bastante difícil. É comum que a separação traga uma dor que vai além da emocional. Muitas pessoas relatam, nesse momento, sensações físicas como falta de ar, dores no peito, alterações no apetite, no peso, no sono, entre outras.

Para algumas pessoas é difícil terminar um relacionamento porque tem medo da solidão, querem alguém para preencher “o seu vazio”, sentem fracassadas por acreditarem que para ser felizes ou bem sucedidas precisam estar com o “status” de casadas ou namorando, e há aqueles que se assustam com mudanças e não querem reavaliar a sua vida.

É comum que surja a sensação de confusão e de não compreensão do motivo que levou àquela situação. O fim de um relacionamento costuma acontecer quando ao menos uma das partes se depara com uma situação que, ao seu ver, não poderia ser resolvida de outra forma. Sendo assim, o término seria a única solução viável.

Em geral, a pessoa que foi abandonada costuma sofrer mais, tendo em vista que aquele que tomou a iniciativa para o rompimento tem como apoio o estímulo que o levou a tomar essa decisão, somado, muitas vezes, a um sentimento de renovação e alívio diante daqueles problemas que vinham lhe causando angústia. Entretanto, pode ser que mesmo aquele que tomou a iniciativa do término experimente sentimentos negativos, como culpa e tristeza. Ambas as partes passam a se questionar sobre o que poderiam ter feito de outra forma, a buscar explicações para o término e a lamentar pelos bons momentos perdidos.

Na tentativa de se livrar destes momentos, podem surgir sentimentos de raiva e ódio, numa tentativa de, ao pensar nas coisas ruins, amenizar a dor, trazendo a sensação de alívio por não ter perdido nada de grande valor.

É comum que os pensamentos estejam voltados ao ex-companheiro, trazendo dúvidas sobre como ele estaria se sentindo, como tem lidado com a nova situação, o que tem pensado a respeito do relacionamento etc. Algumas vezes a dificuldade deste parceiro em aceitar o rompimento pode ser confundida com amor. O fato dele não conseguir se separar não significa necessariamente que ama o outro, pode significar posse ou outra dificuldade.

Somente após um tempo de afastamento que estes questionamentos começam a diminuir e, toda energia dedicada ao outro, pode ser reinvestida em si próprio. Neste momento, pode ser de grande valia voltar a realizar atividades que tragam prazer, como fazer exercícios físicos, sair com seus amigos, dedicar-se ao trabalho, enfim, encontrar formas de investir em si mesmo.

Da mesma forma podemos entender assim que o fim de uma relação é algo real e muito possível sempre, e que se chegou ao fim, podemos superar com o tempo, admitindo nossas dúvidas, dores e fraquezas e abrindo assim as portas para construirmos novas possibilidades no tempo certo.

Apesar ser muito doloroso tem o outro lado, pois são nos períodos de crises que nós conseguimos fazer as maiores mudanças em nossas vidas. Os tipos mais comuns de mudanças positivas do fim de um relacionamento são: aumento na confiança, mudanças na auto-percepção, mudança na relação que você tem com as pessoas a sua volta e reaproximação com velhos amigos e da família.

O término pode te levar a refletir sobre a vida e a rever suas prioridades.  Outro ganho que você pode obter com o término é o crescimento pessoal. Este crescimento obtido após a experiência poderá ajudar a escolher melhor seu próximo parceiro e, ainda, a ser um parceiro melhor pra quem você escolheu.

O fim de um relacionamento só não pode se tornar motivo de escudo para afastar os outros pretendentes. Quando isso acontece, pode significar que existem feridas abertas, que independentemente de estar se envolvendo ou não com alguém, ainda assim a pessoa estará perpetuando o seu próprio sofrimento. Nesses casos é importante o acompanhamento com o psicólogo, pois depois de todas essas frustrações amorosas, a pessoa pode ficar com medo de voltar a se decepcionar e sofrer.

Por esse motivo ela fica mais desconfiada e arisca passando a evitar relacionamento sério. Não dá abertura para o outro se aproximar, ou apenas se relaciona fisicamente, cria barreiras para não se envolver emocionalmente. A pessoa passa a agir dessa forma porque não quer se sentir “fragilizada” novamente, ou mesmo quando se compromete numa relação, a pessoa tenta manter certa distância do parceiro para não se sentir vulnerável. Demonstra ser auto-suficiente, não precisando da ajuda ou do carinho do outro.

A pessoa acredita que dessa forma está se “prevenindo” das coisas “ruins” do relacionamento, mas na verdade ela está deixando de viver, de aprender e aproveitar os momentos maravilhosos que pode ter ao lado de alguém. O sofrimento se torna muito maior por não encarar as feridas do passado. Fica aprisionada aos seus medos, com receio de ser “atacada” a qualquer momento. Cria uma armadura que a impede de relaxar e se sentir a vontade com aquele com quem poderia ter uma história bacana.

É importante entender o que deu “errado” nos relacionamentos anteriores, mas não ficar tentando consertar o que já passou. Avaliar e aprender com as experiências do passado é importante para não continuar a “repetir” os caminhos que a levaram longe do seu objetivo ou de sua felicidade. O amadurecimento e autoconhecimento podem nascer desses momentos de reflexão, descobrindo um jeito novo de pensar e se comportar, em que haja comunicação, respeito, cumplicidade afetiva e emocional entre o casal.

Se existe uma palavra que eu possa dar a todas as pessoas que procuram conforto neste momento tão difícil seria: Reconstrua-se. Aproveite a vivência, mesmo que este rompimento não tenha sido sua escolha, use este turbilhão emocional como informações a seu próprio respeito. Creio que você pode aprender muito sobre si mesmo. Talvez esteja tendo reações que nunca imaginou que seria de seu feitio, talvez esteja tendo pensamentos e comportamentos que o faz não reconhecer a si mesmo, mas você pode crescer e sair renovado. Um psicólogo pode ajudar.

 

Anúncios

Um comentário em “Até que a Morte (do Relacionamento) os Separem!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s