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“Gorda”, “feio”, “esquisito”, “cabelo ruim”, “sardenta”, “nerd”, “magrelo”. Você já zombou, escutou alguém ser zombado ou já foi o alvo de apelidos pejorativos e desagradáveis repetidamente? Você pode não saber, mas pode ter praticado, ter sido o expectador ou o alvo de Bullying, um tipo de violência que pode ser física ou psicológica e que configura diversos atos de agressão ou desrespeito feitos de maneira repetitiva.

Este fenômeno, típico das escolas americanas, representado em vários filmes e séries adolescentes, se tornou uma realidade no Brasil a partir da década de 90 no ensino privado.

A série americana Gossip Girl é um exemplo, e mostra essa perversidade em um mundo de adolescentes poderosos e cruéis seguindo o exemplo dos próprios pais, onde cada história é narrada por uma blogueira que espalha as fofocas por meio da internet.

Essa prática, considerada por muitos diretores de escola como “briguinha de criança e adolescentes” expõe a crueldade precoce desses menores e a omissão dos dirigentes da instituição, professores e pais ao lidar com o problema. A escola finge não ver para preservar a imagem dos alunos, das famílias ou o nome do colégio.

A falta de informação sobre esse fenômeno colabora com a perpetuação das “pequenas” crueldades. Normalmente, os pais são os últimos a saber que o filho está sendo agredido na escola, local onde ele deveria estar seguro. A escola, assim, passa a ser palco de comportamentos como brigas e ofensas, transformando a vida escolar de muitos alunos em um verdadeiro inferno. 

Atualmente o Bullying é reconhecido como problema crônico nas escolas, e com conseqüências sérias, tanto para vítimas, quanto para agressores. As formas de agressão entre alunos são as mais diversas, como empurrões, pontapés, insultos, espalhar histórias humilhantes, mentiras para implicar a vítima a situações vexatórias, inventar apelidos que ferem a dignidade, captar e difundir imagens (inclusive pela internet), ameaças (enviar mensagens, por exemplo), e a exclusão.

Entre os meninos, os ataques mais comuns são os físicos. Ainda que não efetivada a agressão, os agressores costumam ameaçar, meter medo em suas vítimas. Já as meninas agressoras costumam espalhar rumores mentirosos, ou ameaçarem e espalharem segredos para causar mal estar.

Os casos mais comuns são:

  • Agressão Verbal: apelidar, xingar, zoar;
  • Agressão Moral: difamar, caluniar, discriminar;
  • Agressão Sexual: abusar, assediar, insinuar;
  • Agressão Psicológica: chantagens e manipulações, intimidar, ameaçar, perseguir;
  • Agressão Material: roubar, furtar, destruir;
  • Agressão Virtual: praticados pela internet, mensagens de celular e internet.

O Bullying geralmente ocorre dentro das escolas, mas pode acontecer em qualquer contexto social, como na vizinhança e dentro da própria família. Os ataques podem ocorrer também por vias eletrônicas, através de mensagens instantâneas, web site, salas de bate-papo ou torpedos. Este tipo de Bullying tem sido referido como Bullying Eletrônico ou Cyberbullying.

O Cyberbullying extrapola os limites da escola e decorre da utilização da tecnologia da informação e da comunicação, como a internet e os telefones celulares, quando textos e imagens são enviados diretamente para seu alvo ou de forma indireta, permitindo o livre acesso de outras pessoas a sites e redes sociais voltados à difamação, ou à organização de novas agressões no ambiente escolar.

Geralmente a utilização dessa tecnologia constitui-se em um prolongamento do Bullying já praticado na escola, atingindo os mesmos alvos, por meio de ações com objetivos de ofender, ameaçar, denegrir a imagem, difamar, divulgar segredos, excluir etc.

Em uma situação de Bullying ou Cyberbulling os envolvidos são 3: agressor, expectador e agredido. O expectador é aquele que presencia as situações de Bullying e não interfere. Sua omissão deve-se por duas razões principais: por se sentir inseguro e temeroso e assim sentir medo de sofrer represálias ou, ao contrário, por estar sentindo prazer com o sofrimento da vítima e não tem coragem de assumir a identidade de agressor.

vítima costuma ser uma pessoa que não dispõe de habilidades físicas e emocionais para reagir, tem um forte sentimento de insegurança e um retraimento social suficiente para impedi-la de solicitar ajuda, geralmente são pessoas mais frágeis, físicas e emocionalmente. Pessoas tímidas e com dificuldade de entrosamento social são os maiores alvos do Bullying, são constantemente ameaçadas, isoladas, ofendidas discriminadas e ainda tem seus objetos roubados ou quebrados. E a reação a esses tipos de agressões é quase nula.

Os agressores no Bullying são, comumente, pessoas antipáticas, arrogantes e desagradáveis. Alguns trabalhos sugerem que essas pessoas vêm de famílias pouco estruturadas, com pobre relacionamento afetivo entre seus membros, são debilmente supervisionados pelos pais e vivem em ambientes onde o modelo para solucionar problemas recomenda o uso de comportamento agressivo ou explosivo. Os autores do Bullying geralmente são adolescentes que querem ser mais populares e obter uma boa imagem de si.

Em alguns casos os adolescentes são tanto vítimas como agressores e são denominados de vítima/agressor. Estes adolescentes, provavelmente, apresentam uma combinação de baixa autoestima, atitudes agressivas e provocativas e prováveis alterações psicológicas, merecendo atenção especial. Podem ser depressivas, ansiosas, inseguras e inoportunas, procurando humilhar os colegas para esconder suas próprias limitações.

Além dos traços psicológicos, os alvos desse tipo de violência costumam apresentar particularidades físicas. As agressões podem ainda abordar aspectos culturais, étnicos e religiosos. Também pode ocorrer com um novato ou com uma menina bonita, que acaba sendo perseguida pelas colegas. O aluno que sofre Bullying, principalmente quando não pede ajuda, enfrenta medo e vergonha de ir à escola. Pode querer abandonar os estudos, não se achar bom para integrar o grupo e apresentar baixo rendimento. Aqueles que conseguem reagir podem alternar momentos de ansiedade e agressividade. Em alguns casos extremos, o Bullying chega a afetar o estado emocional do jovem de tal maneira que ele opte por soluções trágicas, como o suicídio.

O Bullying não se restringe à relação entre crianças e adolescentes, pode existir também na relação de pais e filhos e entre professor e aluno, como, por exemplo, aqueles adultos que ironizam, ofendem, expõe as dificuldades perante o grupo, excluem, fazem chantagens, colocam apelidos preconceituosos e têm a intenção de mostrar sua superioridade e poder, usando deste comportamento freqüentemente.

As consequências do Bullying podem ser: depressão, pânico, distúrbios psicossomáticos e receio em voltar à escola. O Bullying também pode acarretar problemas ao longo do desenvolvimento desse indivíduo, em que crescerá com sentimentos negativos, e problemas de autoestima levando a um descontentamento com a própria imagem, apresentando sérios problemas de relacionamento no futuro.

Muitos são os traumas causados por essas agressões, alguns adolescentes precisam de um acompanhamento psicológico, principalmente quando se fecham demais. O tratamento depende dos efeitos gerados pelo Bullying na vítima e ajuda a vítima das agressões de Bullying a se fortalecer emocionalmente, ensinando a se defenderem dos constantes ataques.

Tanto as vítimas como os agressores precisam de ajuda psicológica, o primeiro passo é conseguir identificar o que está acontecendo e qual foi a gravidade da ofensa ou agressão.  Para as pessoas que sofrem o Bullying também é recomendado a mudança de escola, quando o caso é muito grave, além da terapia. Mesmo que o Bullying pare, a criança e o adolescente continuam sendo discriminadas na escola. Para não adquirir aversão ao ambiente escolar, o melhor mesmo é a mudança.

Já no caso dos agressores, o mais importante é identificar o que está por trás da agressão: se ele sente prazer na dor do outro ou se ele apenas repete o que ele vivencia ou vê em sua própria casa. É possível que os praticantes de bullying tenham um possível transtorno de conduta e que, mesmo com a terapia, não tenham resultados tão bons quanto os das vítimas. A importância desse método, nesse caso, é que a família pode ser ajudada e pode aprender como lidar com essa criança ou adolescente.

O mais importante é saber qual é a extensão do Bullying praticado e identificar se realmente esta criança ou adolescente tem o transtorno para poder alertar a família sobre como lidar, e não se deixar manipular. O Bullying deve ser levado a sério por toda a comunidade escolar e familiar.

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