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A sabedoria popular já ensina que a palavra proferida, assim como uma pedra atirada, não tem volta, dependendo do contexto, também pode ser extremamente prejudicial na formação da personalidade das crianças. Basta um pouco de abuso emocional em casa durante a infância (ofensas, humilhações) para que a criança deixe de se sentir saudável. Além do abuso, a negligência emocional (falta de carinho, de amor, valorização) também pode ter efeitos devastadores.

Embora a definição de abuso emocional seja muitas vezes complexa e imprecisa, os profissionais concordam que, para a maioria dos pais, atitudes ou ações pontuais negativas não são considerados abuso emocional. Mesmo os melhores pais “perdem o controle” momentaneamente e em algumas ocasiões dizem coisas para os seus filhos que os magoam, não lhes dão a atenção que merecem ou os amedrontam.

O abuso ou violência psíquica contra crianças e adolescentes se caracteriza pela prática, eventual ou rotineira, de atitudes ou ações que provoquem, conscientemente ou não, a humilhação, o sentimento de inferioridade ou de rejeição, que agridam moral ou eticamente, que tratem a criança ou o adolescente de forma preconceituosa, indiferente ou negligente e que, por fim, tem no abandono a sua forma mais cruel.

Crianças que são abusadas emocionalmente sofrem as mesmas conseqüências de saúde mental que aquelas que sofrem abusos físicos ou sexuais  e, em alguns casos, crianças abusadas psicologicamente podem até ser mais prejudicadas.

Segundo estudo publicado na Pediatrics, revista da Academia Americana de Pediatria, os maus-tratos psíquicos ou emocionais são o tipo de abuso de maior domínio no mundo. O estudo sobre os maus-tratos psicológicos investigou casos extremos de abuso psíquico, comportamentos que levam a criança a se sentir desprezada ou indesejada, como, por exemplo, gritar com a criança todo dia dando a entender que ela é uma pessoa ruim e que seus pais se arrependem de tê-la trazido ao mundo.

O abuso psicológico abrange uma ampla variedade de maus-tratos e podem incluir:

  • Ignorar: seja fisicamente ou psicologicamente, o pai / mãe ou o cuidador não está presente para responder à criança. Ele ou ela não olha para a criança e não chama a criança pelo nome.
  • Rejeitar: esta é uma recusa ativa em responder às necessidades da criança (por exemplo, recusando-se a tocar a criança, negando as necessidades da criança, ridicularizando a criança).
  • Isolar: o pai / mãe ou cuidador constantemente impede a criança de ter interações sociais normais com seus pares, membros da família e adultos. Isto também pode incluir confinar a criança ou limitar sua liberdade de circulação.
  • Explorar ou corromper: neste tipo de abuso, a criança é ensinada, incentivada ou forçada a desenvolver comportamentos inadequados ou ilegais. Pode envolver atitudes auto-destrutivas ou atos anti-sociais da mãe /pai ou cuidador, como ensinar a criança a roubar ou forçá-la à prostituição.
  • Agredir verbalmente: isto envolve constantes observações depreciativas, envergonhar, ridicularizar ou ameaçar a criança verbalmente.
  • Aterrorizar: pode incluir colocação da criança ou de um ser amado (tal como um irmão, animal de estimação ou brinquedo), em uma situação perigosa ou caótica; fazer exigências rígidas ou criar expectativas irreais sobre a criança com ameaças de danos, caso não forem cumpridas.
  • Negligência mental: quando os pais ou cuidador negam ou ignoram a necessidade da criança receber tratamento para problemas psicológicos.
  • Negligência médica: quando os pais ou cuidador negam ou ignoram a necessidade da criança receber tratamento para problemas médicos.

Crianças que são constantemente ignoradas, envergonhadas, aterrorizadas ou humilhadas sofrem pelo menos tanto, se não mais, do que se forem agredidos fisicamente. Uma criança que é severamente privada de uma base emocional fortalecedora, embora fisicamente bem cuidada, pode deixar de se desenvolver podendo levar até a morte. Bebês com severas privações emocionais podem tornar-se crianças ansiosas e inseguras, de desenvolvimento lento e com baixa auto-estima.

O abuso psíquico é particularmente ainda mais prejudicial se praticado por pessoas com quem a criança mantém vínculos afetivos e em quem confia. Quando a violência é praticada pelos genitores, outros responsáveis ou ainda aqueles que deveriam ter a função de cuidar e proteger, as consequências são desastrosas para o desenvolvimento tanto físico quanto psíquico da criança ou adolescente, podendo levar a várias formas de déficits e atrasos e até á doenças mentais como:

  • Depressão;
  • Transtorno de ansiedade generalizada;
  • Transtorno de ansiedade social;
  • Problemas de ligação;
  • Abuso de substâncias químicas;
  • Problemas de comportamento na escola;
  • Problemas de relacionamento;
  • Situações de autoflagelo.

O abuso psicológico é muitas vezes mais difícil de detectar, mas é tão devastador, que, apenas a combinação entre abuso sexual e físico somados é capaz de apresentar quadros emocionais semelhantes aos de crianças que se enquadram nos primeiros casos.

Embora os sinais visíveis de abuso emocional em crianças possam ser difíceis de detectar, as cicatrizes ocultas deste tipo de abuso manifestam-se em inúmeras formas comportamentais como: a insegurança, a baixa auto-estima, o comportamento destrutivo, atos irritadiços (como a fixação com fogo e crueldade com animais), o isolamento, o fraco desenvolvimento das competências básicas, suicídio, dificuldade em formar relacionamentos e histórico instável de empregos.

Assim a ajuda de um psicólogo é essencial nesses casos, para ajudar a criança com suas feridas internas e incentivá-la a lidar melhor com seus traumas, tratando esses machucados invisíveis ao outro, mas tão doloridos para ela mesma.

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