mente brilhante

O filme “Uma Mente Brilhante” (2001), foi inspirado na história do matemático americano John Forbes Nash que foi um gênio precoce. Em 1949, aos 21 anos, escreveu uma tese de doutorado de apenas 27 páginas sobre a Teoria dos Jogos, que revolucionou a economia. Mas aos 30 anos sua chama criativa começou a se apagar, quando passou a ouvir vozes e perdeu contato com a realidade. A mulher o internou num hospital psiquiátrico, onde lhe diagnosticaram com Esquizofrenia. “Eu me sentia perseguido. Achava que o presidente, o papa e outras pessoas conspiravam contra mim”, recordou Nash ao canal americano PBS em 1995, após ganhar o Nobel de Ciências Econômicas pelas ideias que desenvolveu na juventude.

Nash lutou contra o transtorno há mais de cinco décadas, e se não fosse um gênio precoce, Nash certamente padeceria o transtorno no anonimato, como ocorre com a maioria dos esquizofrênicos.

A Esquizofrenia é uma desordem psiquiátrica em um quadro de psicose crônica ou recorrente, que se caracteriza por uma desorganização ampla dos processos mentais, e pela presença de ambivalência emocional, alucinações, alterações da forma e do conteúdo do pensamento e alterações do contato com a realidade. Esta desordem afeta principalmente a afetividade, percepção, pensamento, motivação e memória.

A Esquizofrenia seria uma doença do cérebro com manifestações psíquicas, que começa no final da adolescência ou início da idade adulta antes dos 40 anos, embora possa também começar antes ou depois disso.

Às vezes a doença se manifesta agudamente, quase que da noite para o dia, outras vezes as pessoas próximas ao enfermo só se dão conta da anormalidade depois de meses de iniciada a doença.

De início pode ocorrer uma tensão imotivada, insônia, queda dos rendimentos no estudo ou no trabalho, prejuízo da atenção e da concentração. Aos poucos o paciente vai perdendo o interesse pelas coisas que gostava antes, relata estar ouvindo vozes ou tendo visões que não correspondem à realidade e passa a ter pensamentos e vivências estranhos. Começa a mostrar desleixo com a sua aparência e descaso com sua higiene pessoal.

Os sintomas precoces da esquizofrenia, também conhecidos como prodrômicos (do grego pròdromos = precursor), são aqueles que ocorrem meses a anos antes de um primeiro surto. Eles não são específicos da doença e não permitem um diagnóstico precoce do transtorno.

Podem ocorrer comportamento hiperativo (inclusive desde a infância), desatenção e dificuldades de memória e aprendizado, sintomas de ansiedade (inquietação, somatizações, como taquicardia, palpitações e falta de ar), desânimo, desinteresse generalizado e humor depressivo. O início do transtorno pode ser confundido com depressão ou outros transtornos ansiosos (Pânico, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Ansiedade Generalizada).

Em alguns casos ocorre interesse exagerado por temas exóticos, místicos, religiosos, astronômicos ou filosóficos, que passam a dominar o cotidiano da pessoa. Dúvidas acerca da sua existência, explicações filosóficas sobre coisas simples da vida e uma necessidade permanente de buscar significados podem deixar a pessoa mais introspectiva e isolada socialmente.

A fase inicial pode passar despercebida pelos familiares ou ser negada e encobertada por falsas explicações. A doença só fica clara quando o paciente começa a ter alucinações ou delírios estranhos.

Os sintomas da esquizofrenia são freqüentemente assustadores, a pessoa pode ouvir vozes não escutadas pelos outros, acreditar que os outros estão lendo seus pensamentos, controlando sua mente ou planejando algo para prejudicá-la. Estes sintomas podem levar a pessoa a ficar com muito medo e se retrair. Sua fala e seu comportamento podem ficar tão desorganizados que ela se torna incompreensível e desperta medo nos outros ao seu redor.

Os sintomas se encaixam em três categorias gerais:

  • Sintomas positivos: que são pensamentos e percepções diferentes como alucinações, delírios e desordens no pensamento e movimento.
  • Sintomas negativos: que representam a perda ou diminuição na capacidade de iniciar planos, falar, expressar emoções ou encontrar prazer na vida cotidiana. Esses sintomas são difíceis de reconhecer como parte da esquizofrenia e podem ser confundidos por preguiça ou depressão.
  • Sintomas cognitivos: que são problemas com atenção, certos tipos de memória e funções de execução que nos permite planejar e organizar. Déficits cognitivos também podem ser difíceis de reconhecer como parte da esquizofrenia, porém são os mais incapacitantes para levar uma vida normal.

A esquizofrenia apresenta, assim, várias manifestações, afetando diversas áreas do funcionamento psíquico.  Os principais sintomas são:

  • Delírios: são idéias falsas, das quais o paciente tem convicção absoluta. Por exemplo, ele se acha perseguido ou observado por câmeras escondidas, acredita que os vizinhos ou as pessoas que passam na rua querem lhe fazer mal.
  • Alucinações: são percepções falsas dos órgãos dos sentidos. As alucinações mais comuns na esquizofrenia são as auditivas, em forma de vozes. O paciente ouve vozes que falam sobre ele, ou que acompanham suas atividades com comentários. Muitas vezes essas vozes dão ordens de como agir em determinada circunstancia. Outras formas de alucinação, como visuais, táteis ou olfativas podem ocorrer também.
  • Alterações do pensamento: as idéias podem se tornar confusas, desorganizadas ou desconexas, tornando o discurso do paciente difícil de compreender. Muitas vezes o paciente tem a convicção de que seus pensamentos podem ser lidos por outras pessoas, ou que pensamentos são roubados de sua mente ou inseridos nela.
  • Alterações da afetividade: muitos pacientes tem uma perda da capacidade de reagir emocionalmente às circunstancias, ficando indiferente e sem expressão afetiva. Outras vezes o paciente apresenta reações afetivas que são inadequadas em relação ao contexto em que se encontra. Passa a se comportar de modo excêntrico ou indiferente ao ambiente que o cerca.
  • Diminuição da motivação: o paciente perde a vontade, fica desanimado e apático, não sendo mais capaz de enfrentar as tarefas do dia a dia. Quase não conversa, fica isolado e retraído socialmente.

Outros sintomas, como dificuldade de concentração, alterações da motricidade, desconfiança excessiva, indiferença, também podem aparecer na esquizofrenia. Dependendo da maneira como os sintomas se agrupam, é possível caracterizar os diferentes subtipos da doença. A esquizofrenia evolui geralmente em episódios agudos onde aparecem os vários sintomas acima descritos, principalmente delírios e alucinações.

A esquizofrenia pode ser classificada em diferentes tipos  de acordo com sua apresentação clínica.

  • Esquizofrenia Paranóide: caracterizada pelo predomínio de sintomas positivos (delírios e alucinações) sobre os sintomas negativos. Em geral, os pacientes apresentam tramas delirantes bem estruturadas e alucinações, com alterações de comportamento compatíveis com suas vivências psíquicas, como inquietação ou agitação psicomotora, comportamento de medo ou fuga, ausência de juízo crítico, dentre outras. Podem ocorrer sintomas cognitivos que dificultam a retomada de algumas atividades após a fase aguda.
  • Esquizofrenia Hebefrênica ou Desorganizada: nesse caso há predomínio dos sintomas negativos e de desorganização do pensamento e do comportamento sobre os sintomas positivos. Alucinações e delírios podem não ocorrer, ou se ocorrerem, não são uma parte importante do quadro, que se caracteriza mais pela desorganização do pensamento e do comportamento, dependência de terceiros para atividades mais básicas, perda da autonomia, desinteresse, isolamento ou perda do contato social e afetividade mais superficial ou infantil. Ocorrem alterações cognitivas, principalmente relacionadas à atenção, memória e raciocínio, que podem trazer prejuízos sociais.
  • Esquizofrenia Catatônica: é o tipo menos comum, caracterizado por sintomas de catatonia na fase aguda. O paciente pode falar pouco ou simplesmente não falar, ficar com os movimentos muito lentos ou paralisados, recusar se alimentar ou ingerir líquidos, interagir pouco ou simplesmente não interagir com ninguém, embora desperto e de olhos abertos. Há casos em que, na fase aguda, podem ocorrer comportamento agitado e repetitivo sem um propósito claro ou identificável.
  • Esquizofrenia Indiferenciada: quando os sintomas positivos e negativos estão igualmente presentes, havendo delírios e alucinações em intensidade semelhante aos sintomas negativos e desorganizados.
  • Esquizofrenia Simples: em casos em que os sintomas negativos ocorrem isoladamente, sem sintomas positivos e de desorganização, e não há uma diferença bem delimitada entre as fases aguda e crônica. Alguns autores equivalem esse diagnóstico ao transtorno de personalidade esquizotípico, caracterizado por afetividade superficial ou imprópria, falta de vontade e comportamento excêntrico, com tendência ao isolamento e desinteresse social. Os sintomas negativos ocorrem mesmo sem um surto psicótico que os preceda.
  • Esquizofrenia Residual: utilizado para quadros mais crônicos, de longos anos de evolução ou que evoluem rapidamente para um comportamento mais deteriorado, com muitos prejuízos sociais e para a autonomia da pessoa, afetando sua capacidade de comunicação, inclusive verbal, gerando passividade ou falta de iniciativa, lentidão psicomotora, monotonia e prejuízos inclusive para o autocuidado e higiene pessoal.

Sobre as causas da esquizofrenia até hoje não se conhece nenhum fator específico. Há, no entanto, evidências de que seria decorrente de uma combinação de fatores biológicos, genéticos e ambientais que contribuiriam em diferentes graus para o aparecimento e desenvolvimento da doença. Sabe-se que filhos de indivíduos esquizofrênicos têm uma chance de aproximadamente 10% de desenvolver a doença, enquanto na população geral o risco de desenvolver a doença é de aproximadamente 1%.

Uma vez que a causa da esquizofrenia ainda é desconhecida, os tratamentos atuais focalizam na eliminação dos sintomas da doença. Os tratamentos para esquizofrenia incluem medicamentos antipsicóticos e tratamento psicossocial. Os tratamentos disponíveis podem aliviar muitos dos sintomas, porém a maioria das pessoas com esquizofrenia deve ter que enfrentar alguns sintomas residuais pela vida toda. Apesar disso, hoje em dia muitas pessoas com esquizofrenia conseguem levar vidas construtivas em suas comunidades. Os pacientes necessitam em geral de psicoterapia, terapia ocupacional, e outros procedimentos que visem ajudá-lo a lidar com mais facilidade com as dificuldades do dia a dia.

Assim a psicoterapia aborda problemas atuais ou passados, pensamentos, idéias, sentimentos, relações e vivências do paciente com esse transtorno. Através do compartilhamento destas experiências com o terapeuta, de falar sobre seu mundo com alguém de fora, as pessoas com esquizofrenia podem gradualmente entender mais sobre si próprias e seus problemas. Também podem aprender a discernir aquilo que é real do que não é real.

Os familiares também são aliados importantíssimos no tratamento e na reintegração desse paciente, é importante que estejam orientados para que possam compreender os sintomas e as atitudes do paciente, sendo que o primeiro passo para entendê-lo é se livrar do preconceito.

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