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Você consegue se reconhecer nesta história?

Você acordou de manhã, cheio de energia, levantou da cama rapidamente porque tem um projeto importantíssimo para entregar. Você, então, aproveita para terminar de tomar seu café enquanto trabalha, mas por azar, qual a primeira coisa que acontece? Você, acidentalmente, derruba café na mesa. Impossível trabalhar em uma situação dessas, logo, você começa a limpar a mesa e percebe que, na verdade, ela está cheia de poeira e até meio desorganizada. Mesas de trabalho organizadas ajudam e muito a aumentar a produtividade, então a coisa certa a fazer é limpar toda a mesa. Terminando, você finalmente senta em sua mesa, então decide dar uma rápida olhada em sua página do Facebook, apenas para checar as últimas novidades. As novidades são decididamente importantes pra colocar o assunto em dia com os amigos no Whatsapp, o que resulta em algumas conversas rápidas, mas nada que prejudique seu planejamento para o resto do dia. Voltando a concentração para seu projeto, seu estômago ronca e você resolve comer alguma coisa, pois não da pra concentrar de barriga vazia. Após a refeição, você finalmente olha no relógio e percebe que já está tarde e não da pra começar mais nada agora, e em vez disso, escolhe assistir àqueles últimos episódios de sua série favorita no Netflix. Afinal, seu importante projeto pode esperar até amanhã.

Parece familiar? Aposto que pelo menos uma vez na vida você deixou para depois algo relativamente importante e que podia ser feito naquele momento. E ainda acordou totalmente culpado e estressado no dia seguinte, pois o prazo para entrega acabou ficando próximo demais e você teve que fazer tudo às pressas.

Esse é o nocivo hábito de procrastinar! É o ato de deixar para amanhã; adiamento. O problema é que o amanhã é aquele lugar que ninguém viu ou sabe onde fica, mas que boa parte dos planos, motivações e objetivos se encontram.

Deixando claro, adiar alguma tarefa não é algo necessariamente ruim, você pode, por exemplo, chegar à conclusão que conseguirá escrever seu artigo amanhã na parte da tarde porque terá um tempo maior livre, isso não pode ser definido como procrastinação. A procrastinação acontecerá se você decidir, no outro dia de tarde, adiar mais uma vez sua tarefa. Toda procrastinação é um atraso, mas nem todo atraso pode ser definido como procrastinação.

Algumas pessoas confundem também o hábito de procrastinar com preguiça, mas há diferenças entre a preguiça e o adiamento. A preguiça é a falta de vontade de fazer uma tarefa, já a procrastinação é um atraso irracional de uma ação pretendida. O procrastinador quer cumprir a tarefa, mas por algum motivo não consegue.

Você pode pensar que procrastinadores são pessoas desorganizadas, que não sabem nem por onde começar seus projetos, mas é ai que você se engana. Alguns procrastinadores são especialistas na montagem de planos estratégicos e sabem cada passo que precisam dar rumo a seu objetivo; na teoria.

Uma excelente ideia que não é colocada em prática, não passa de uma ideia. Quem tem o costume de adiar, adora planejar e principalmente fazer listas de tarefas. Aliás, quanto mais longa e vaga for essa lista, melhor, afinal, planejar não significa fazer. E quanto mais complexo for o objetivo, pior, certamente será adiado por muito mais vezes.

O erro não está em escolher atingir metas elaboradas para sua vida, o erro está em não desmembrar essa meta em várias pequenas tarefas, que poderão ser finalizadas com maior facilidade.

Mas de quem é a culpa de tanta procrastinação? Um estudo feito na Universidade do Colorado encontrou indícios de que procrastinação e impulsividade estão ligados a influências genéticas. Houve um tempo em que seres humanos não faziam planos futuros e sua única preocupação era o que comer naquele dia. Após milhares de anos agindo da mesma forma, podemos dizer que ficamos acostumados a agir por impulso, dando importância ao que é urgente e não ao que é prioridade, por isso não ficamos 100% concentrados.

Outro fator que contribui para o ato de procrastinar é a natureza da tarefa, dificilmente você deixará para amanhã um jogo de futebol com os amigos ou um bom jantar com a família, mas faria isso facilmente se a sua programação fosse terminar vários relatórios. O benefício imediato é claramente percebido por nosso cérebro e as atividades fáceis e divertidas são as mais atraentes.

Mas a mania de procrastinar possui efeitos devastadores: problemas no trabalho, nos relacionamentos e na saúde. A sensação de bem estar nunca é completa, pois junto com ela aparece a culpa, temos plena consciência de que deveríamos estar concentrados em terminar o trabalho de conclusão de curso, por exemplo, mas em vez disso optamos por fazer algo mais divertido. Conforme o prazo de entrega vai se aproximando, a ansiedade domina nossa mente e o efeito disso a longo prazo, na saúde física e mental, pode ser bastante prejudicial.

Pessoas que têm o costume de adiar apresentam mais dores de cabeça, de estômago e ficam doentes com mais frequência. Além disso, procrastinar pode ocasionar aumento no nível de estresse, baixando as defesas do sistema imunológico e abrindo espaço para doenças infecciosas como resfriado ou gripe. Geralmente cuidados como a prática de exercícios físicos, alimentação saudável e idas ao médico quando algo não está bem são frequentemente postergados, podendo ocasionar danos futuros à saúde.

A arma contra a procrastinação seria criar um novo hábito. A melhor maneira de obter sucesso é usar a força de vontade como impulso inicial e depois garantir a consistência transformando a ação em hábito.

Um hábito é formado por três elementos básicos:

  • Gatilho: é justamente aquilo que servirá como lembrete para a execução de uma determinada tarefa. Por exemplo, você deseja iniciar seus projetos logo pela manhã e todo dia toma uma xícara de café para acordar e dar energia. Pronto, este pode ser seu gatilho. Automaticamente ao ingerir sua dose de café matinal, sua mente já fará a correlação entre as duas atividades;
  • Rotina: é o que você deseja ter como ritual diário, que nesse exemplo é começar a trabalhar nos seus relatórios no período da manhã;
  • Recompensa: para se manter firme em seu novo hábito, o ideal é escolher uma recompensa imediata, para que seu cérebro entenda que está ganhando algo para não procrastinar. Nesse caso a recompensa poderia ser um banho relaxante ou assistir aquele episódio da série que gosta tanto, ou alguma outra coisa que faça sentido para você. Você precisa desejar muito essa recompensa.

Quando um hábito é prejudicial, como procrastinar, é mais fácil mudá-lo aos poucos, do que eliminá-lo de uma vez por todas. Mas a mudança só ocorre na parte da rotina.

Para quem deseja acabar de vez com a procrastinação, a primeira coisa a fazer é entendê-la. Por que você evita começar alguma tarefa específica ou fica arranjando distrações e outras ocupações o tempo todo? Perceba quando você está caindo nesse mesmo tipo de comportamento e anote.

Entenda o porquê você faz o que você faz, ao identificar padrões de comportamento fica mais fácil traçar estratégias para combater justamente a rotina. Ao trocar a rotina que pode ser acionada pelos mesmos gatilhos e obter as mesmas recompensas, a chance de sucesso do novo hábito é muito maior.

Confira algumas maneiras de combater a procrastinação:

  • Aprenda a se comprometer: Comece a anotar quando e onde você vai completar uma tarefa ou tornar seu compromisso público através da partilha de seu plano com um amigo, por exemplo, enviar um e-mail dizendo “Minha parte do trabalho estará pronta amanhã às cinco horas”. Leva em conta um tempo para emergências, mas não se dê uma semana para terminar uma tarefa que você consegue terminar em dois dias no máximo.
  • Defina micro e macro metas: A motivação é importante para alcançar objetivos, bem como os planos que você constrói para chegar lá. A criação de planos grandiosos pode intimidar as pessoas e elevar suas expectativas. Para que elas não precisem parar de sonhar grande, a melhor maneira de encontrar um equilíbrio é simplesmente definir “macro metas” e “micro quotas”. Seus objetivos devem ser as coisas que você espera conseguir, e suas quotas as coisas pequenas que têm que ser feitas todos os dias para que as maiores aconteçam. Basicamente, quotas o ajudam a fazer um pouco de cada vez, começar por baixo garante um começo em primeiro lugar, e, mais para frente, a realização de seus objetivos maiores.
  • Se organize: Na noite anterior, crie uma simples lista de tarefas consistindo de três coisas importantes que você quer prontas no dia seguinte. Mantenha essa lista ao alcance, em sua mesa ou bolsa. Com uma lista clara do que trabalhar hoje, você não terá que repassar mentalmente uma longa lista de obrigações que devem ser cumpridas “algum dia”.
  • Técnica do redirecionamento: Ser muito duro consigo mesmo por procrastinar não é saudável. Você deve tentar redirecionar sua procrastinação em algo produtivo. Por exemplo, quando não estiver conseguindo escrever, faça pequenas tarefas que ainda precisam ser feitas, como responder e-mails. Pergunte-se se o que você está fazendo está realmente o deixando mais perto de seu objetivo, por exemplo, terminar algumas edições em vez de criar um novo artigo. Não há problema em perdoar a si mesmo e redirecionar o seu comportamento.
  • Tenha o tipo “certo” de fantasia: Fantasias sobre o futuro são geralmente boas, mas fantasia em excesso é uma assassina de metas e uma enorme razão para as pessoas procrastinarem. De acordo com um estudo sobre motivação e fantasias, quando você pensa muito grande pode estar sabotando objetivos reais já obtidos. Então não se preocupe com seus sonhos, apenas certifique-se que você não está só focando na recompensa sem pensar nos passos necessários para que ela venha.

E não se preocupe, você não está sozinho nessa. Mas se você perceber que a mania de procrastinar tem sido extremamente prejudicial e você não está conseguindo lidar sozinho, procure um psicólogo. O psicólogo com certeza vai te ajudar a organizar suas ideias e colocá-las em prática da melhor forma pra você, sem exceder seus limites.

 

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