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Vestibular, carreira, profissão, sonho, vocação, metas, aptidão, futuro, realização pessoal. Na mente do jovem vestibulando, essas palavras transitam de forma constante, consequência da infalível pergunta que todos fazem ao final do Ensino Médio: que profissão escolher?

“A impressão que eu tenho é de que se eu não passar eu vou ser um fracassado”; “Eu tenho que passar no vestibular, no Enem, passar de ano no colégio e ainda descobrir do que eu gosto como profissão”. Essas são frases reais ditas por adolescentes que a partir dos 15 anos de idade dão de cara com uma das escolhas mais difíceis de suas vidas. Isso tudo em um momento de grande pressão exercida sobre esses jovens, no qual poucos adultos percebem.

Os jovens passam por um processo de autoconhecimento juntamente com a absorção de conhecimento do ensino médio. Assim, procura descobrir se gosta ou tem talento para determinadas áreas do conhecimento, algo que é imprescindível para a escolha de uma profissão.

Lembrando que esses jovens têm idades entre 15 e 18 anos e entendendo que são pessoas relativamente ainda imaturas para responderem às cobranças dos pais, da escola ou da sociedade; estes acabam se voltando exclusivamente para uma vaga na universidade, sem pensar na escolha, e sem se dar conta de que o processo de aprendizado pode ser algo prazeroso.

Assim, o jovem deve prestar o vestibular no momento que realmente escolheu e está consciente da sua escolha. A profissão que cursará na graduação é aquela que o estudante deseja se aprofundar, e tem prazer e satisfação pessoal/profissional em exercê-la. É importante destacar que o perigo de não descobrir suas habilidades, competências e expectativas pode resultar no abandono dos cursos superiores, gerando “desperdício” de tempo e de dinheiro. Por isso, escolher com calma e paciência é melhor do que o impulso de ingressar num curso superior que não satisfaz suas necessidades.

A escolha da profissão é uma fase de busca de sentido da vida com todas as angústias e ansiedades próprias dessa fase e, por outro lado, uma exigência de que o estudante escolha nesse momento o que deseja ser para o resto da vida. É uma decisão séria e pesada demais.

Segundo estudos, jovens que são muito pressionados antes do vestibular podem desenvolver alguns sintomas como insônia, tensão, irritabilidade, desânimo, dificuldade de aprendizagem e impaciência que acabam atrapalhando o bom desempenho acadêmico. Os jovens que apresentam alguma dificuldade passam a ficar com medo e a sentir ansiedade de não conseguirem acompanhar as aulas, terminar o colégio, escolherem um curso e passarem no vestibular.

Os estudantes, que na maioria das vezes abrem mão da vida social para se dedicar ao concurso, devem ter cautela, essa pressão toda que se põe dentro dele, tanto da exigência pessoal como a que vem de fora, é algo que, realmente, pode trazer consequências em termos de uma ansiedade maior, sintomas, às vezes, de pânico e angústia. Isso pode acabar refletindo no comportamento. Às vezes com transtornos no padrão alimentar ou até mesmo o desenvolvimento de um quadro depressivo.

A adolescência já é uma fase estressante por natureza. A turbulência hormonal, por si só, causa sono, fome e muitas mudanças corporais. O momento também é de despertar para interesses sexuais e de identidade, que causam conflitos internos e externos. É preciso ter calma nessa hora. Identificando, administrando e construindo um novo padrão interior para separar e entender o que está acontecendo do lado de fora. O psicológico, emotivo e fisiológico, neste momento, está vulnerável ao estresse em um misto de medo, luta e fuga.

No ano pré-vestibular, organização é fundamental. É preciso determinar horário de estudo, de prática de atividade física e também de relaxamento. O esporte é essencial para oxigenar o corpo, aliviar a tensão e descarregar energia, assim como uma alimentação balanceada e saudável e algum momento de diversão entre amigos.

Outras sugestões para enfrentar essa fase sem tanto desgaste são:

  • Manter-se saudável: só assim, conseguirá lidar com as pressões dessa fase da vida. Vale se alimentar bem, de forma balanceada e dormir pelo menos 8 horas por noite. Quando possível, praticar atividades físicas pode ser uma ótima maneira de aliviar o estresse e a ansiedade. 30 minutos, três vezes por semana, são suficientes.
  • Autoconhecimento: é importante reconhecer os pontos de tensão, os motivos da insegurança e outras questões. Em alguns casos a ajuda de um profissional pode fazer com que o estudante se sinta mais seguro.
  • Atividades relaxantes: se você perceber que está muito irritado, não deixe de jogar futebol com os amigos ou passear com as amigas para ficar estudando. Estabeleça uma rotina de estudo, mas também se permita momentos de lazer. Continue a praticar seus hobbies e atividades que dão prazer.
  • Dedicar-se aos estudos: o vestibular é um funil, e passar por ele não depende só de você, mas dos seus concorrentes também. O importante é estar consciente de que deu o seu melhor para encarar esse desafio.
  • Organização e prioridades: faça uma planilha de estudo. Veja as matérias que você domina e separe menos tempo para elas. E aí, sabe aquela matéria que não entra na sua cabeça? Leia a explicação do livro com calma, faça e refaça os exercícios quantas vezes você achar necessário. Acabou? Agora você merece um sorvete caprichado. Dá para fazer tudo, basta ter organização.

No que se refere à família, os pais devem participam desse momento tão importante para o jovem, preparando-o através de diálogos sadios e maduros. Os responsáveis podem ressaltar as habilidades e potencialidades de seu filho, reforçando seus bons comportamentos e hábitos de estudos.

Os pais também têm um papel fundamental para ajudar a controlar tudo isso. A tarefa destes pais é entender que embora os filhos sejam íntimos, neste momento, eles se tornam seres à parte que estão buscando a forma particular de olhar a vida. Os pais também devem tomar cuidado para não subestimar a capacidade e a vontade dos filhos em seguir algum objetivo.

O papel dos pais deve ser o de acolher e entender que, às vezes o mau humor e a irritabilidade, podem ter sentido. Os candidatos devem se preparar de uma maneira generalizada. É claro que é preciso estudar, mas junto disso, deve-se tomar um cuidado muito grande para que isso não extrapole o próprio limite. O acompanhamento terapêutico durante esse período também facilita o autoconhecimento e dá segurança para escolha profissional.

Mas uma questão importante, é que se tem percebido que muitos indivíduos bem preparados cognitivamente vêm sendo reprovados, às vezes por anos sucessivos. Nesse caso, o problema pode não estar nos estudos e o próprio candidato sabe que tem capacidade de ser aprovado. Trata-se de uma questão psicológica específica do momento da prova, que normalmente é negligenciada pelo estudante durante a fase de preparação.

O que é possível observar nestes alunos é uma enorme insegurança acompanhada de medo, principalmente de decepcionar a família que embora diga que não cobra do filho um bom resultado no vestibular, dizem que confia nele e sabe que vai passar. Por essa razão o aluno carrega com ele a responsabilidade de tentar dominar todo o conteúdo para conseguir se classificar em alguma universidade.

É importante destacar que neste contexto, além do acompanhamento terapêutico para facilitar na escolha, também pode existir a emergência de possibilidades de intervenções psicológicas com o propósito de formular novas estratégias que possam trazer benefícios no enfrentamento do estresse em situação do processo de escolha profissional. Entende-se, assim, que para o sucesso nos exames, a habilidade para lidar com o estresse e a ansiedade é um elemento tão importante quanto o próprio conhecimento acadêmico.

E quem está muito indeciso pode pedir ao psicoterapeuta uma orientação profissional. Não se deve confundir orientação profissional com teste vocacional, modelo muito comum há alguns anos e que ainda é encontrado aos montes na internet.

A orientação inclui entrevistas com o psicólogo, pesquisas sobre as diferentes ocupações e, algumas vezes, dinâmicas de grupo. É um processo mais demorado, que depende muito de cada pessoa. A orientação profissional não aponta os cursos ideais para cada um; essa é uma decisão que só o jovem pode tomar, não é dada uma resposta pronta.

Uma dica é conhecer as matérias básicas de cada curso e analisar os currículos de várias instituições de ensino, pois a mesma graduação pode ter ênfase diferente de acordo com a universidade. Você também deve visitar os laboratórios e as outras instalações do curso, para verificar como se sente nesses locais.

Outras dicas que podem ajudar neste processo são:

  • Saiba quem é você: pode parecer banal e simples, mas não paramos com frequência para refletir sobre quem somos, quais os nossos objetivos e o que esperamos para nossas vidas. Reflita sobre seus valores, sua personalidade e liste seus interesses. Coloque tudo no papel.
  • Entenda seus gostos e interesses: faça a você mesmo a seguinte pergunta:O que me deixa feliz?  Não tente pensar em uma profissão que o faça feliz, apenas pense em coisas do dia a dia, como estar com os amigos, sair para dançar, ter algum dinheiro guardado, ajudar os colegas a estudarem para provas, etc.
  • Conheça as suas habilidades: é importante saber o que você faz de melhor. Algumas situações do cotidiano ajudam a identificar nossas habilidades. Preste atenção em como você se comporta, por exemplo, em um trabalho em equipe: Você gosta de liderar o grupo e dividir as tarefas? Prefere saber o que deve ser feito para então começar a trabalhar? Gosta de ajudar um colega a executar suas atividades?
  • Faça uma lista com algumas opções de carreira: faça uma lista com as profissões ou áreas que você se interessa ou acha que têm a ver com você.
  • Pesquise sobre as profissões selecionadas: pesquise muito sobre cada uma das profissões e áreas listadas. Visite sites de universidades e tente conversar com profissionais das áreas de sua preferência. As redes sociais podem facilitar bastante sua pesquisa, basta procurar por grupos e fóruns de discussão relacionados às carreiras pretendidas.
  • Conheça o mercado de trabalho: saber quais profissões estão em alta no mercado e aquelas já saturadas pode ser muito útil. Você deve ter em mente que o mercado está em constante mudança e o cenário apresentado hoje pode ser diferente após você se formar e começar a atuar na área escolhida.
  • Liste os prós e contras: tente fazer uma lista com os aspectos positivos e negativos de cada uma delas. Compare esta lista com aquelas reflexões sobre quem você é e quais seus gostos e interesses. Com todas essas informações no papel fica mais fácil decidir pela carreira que melhor se encaixa no seu estilo de vida.

Entenda também que o acompanhamento com um psicoterapeuta pode te ajudar a encontrar um ponto de equilíbrio nesse momento da vida. Conversar com um profissional pode ajudar o jovem a se sentir mais calmo diante de tantas decisões importantes a serem tomadas. Compreendendo, assim, o que você está passando, e não vai ser mais uma pessoa cobrando suas escolhas. Por isso, se perceber que está com os sintomas de estresse e dificuldade nesta escolha tão importante, procure um psicoterapeuta para ajudá-lo.

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