infantil

Todos os dias muitas crianças e adolescentes sofrem algum tipo de abuso, sendo a negligência e abandono o tipo mais frequente entre crianças de 0 a 9 anos, seguido pela violência sexual que atinge adolescentes de 10 a 14. A opressão psicológica também ocupa lugar de destaque nas estatísticas.

Os dados indicam que a maioria das agressões ocorre na residência da criança por parte dos próprios pais e outros familiares, ou alguém do convívio muito próximo como amigos e vizinhos. Os tipos de abuso mais comuns são:

  • Mau-trato físico: ação não acidental por parte dos cuidadores que provoque dano físico ou enfermidade ou, ainda, coloque a criança em risco de vida implicando em feridas, fraturas, hematomas ou lesões internas;
  • Abandono físico: quando não são atendidas as necessidades físicas básicas da criança como alimentação, higiene, proteção e vigilância;
  • Mau-trato emocional: hostilidade verbal, insultos, depreciação ou críticas excessivas, ameaças de abandono, isolamento, rechaço das iniciativas de apego e/ou exclusão das atividades familiares;
  • Abandono emocional: ausência de iniciativa de interação e contato por parte de alguma figura adulta estável, e renúncia por parte dos adultos em assumir as responsabilidades parentais;
  • Abuso sexual: todo ato, jogo ou relação sexual, heterossexual ou homossexual, com ou sem contato físico, envolvendo uma ou mais crianças/adolescentes e um ou mais adultos, com a finalidade exclusiva de estimular prazer no(s) adulto(s), como carícias, exibicionismo, voyeurismo e abusos;
  • Trabalho infantil: obrigar crianças a realizar continuamente trabalhos, domésticos ou não, com o objetivo de obter benefício econômico para os adultos/pais;
  • Mendicidade: uso esporádico ou habitual da criança para mendigar com o objetivo de ajudar na economia familiar;
  • Corrupção: facilitar ou reforçar condutas anti-sociais ou desviantes premiando, por exemplo, a criança que furta ou rouba, facilitar seu consumo de drogas e/ou álcool, iniciando a criança em contatos sexuais com outras crianças e/ou adultos ou na prostituição;
  • Participação em ações delituosas: usar a criança para ajudar e/ou efetuar pequenos furtos ou ações ilegais, como o transporte de objetos roubados e drogas;
  • Falta de controle parental: incapacidade dos adultos responsáveis para controlar o comportamento social da criança, não estabelecendo (ou não conseguindo estabelecer) regras nem reagindo frente ao desrespeito das mesmas.

Atualmente o abuso sexual está sendo um tema de grande destaque, devido àviolência sexual contra crianças e adolescentes. Assim, apesar de todas as formas de abuso contra a criança mereçam atenção, hoje explicarei melhor sobre o abuso sexual, e deixarei os outros para os próximos artigos. O que se nota hoje é que estas crianças e adolescentes expostos a esse tipo de violência apresentam comportamentos diferenciados e sofrem um grande impacto social em suas vidas.

Abuso sexual infantil seria todo envolvimento de uma criança, em uma atividade sexual na qual ela não compreende, já que não está preparada em termos de desenvolvimento. Não entendendo a situação, a criança não consegue, e nem pode informar seu consentimento.

O abuso sexual infantil é caracterizado pela atividade de teor sexual entre uma criança com um adulto, ou entre uma criança com adolescente que pela idade ou nível de desenvolvimento está em uma relação de responsabilidade, confiança ou poder com uma criança abusada. Seria qualquer ato com intenção de gratificar ou satisfazer as necessidades sexuais de uma pessoa, incluindo indução ou coerção de uma criança em qualquer atividade sexual ilegal. Pode incluir também práticas com caráter de exploração, como uso de crianças em prostituição, em atividades e materiais pornográficos, assim como qualquer outra prática sexual.

A definição de abuso sexual contra criança pode ser diferenciada de incesto ou pedofilia, embora estas palavras sejam usadas como sinônimos. Nem todo ato de abuso sexual contra criança pode ser considerado incestuoso e nem todo indivíduo que comete tal ato pode ser diagnosticado como pedófilo. O incesto pode ser caracterizado como a união entre parentes com qualquer laço de parentesco e pode ocorrer entre parentes da mesma idade (entre irmãos, por exemplo) sem necessariamente envolver um adulto e uma criança ou um adolescente que mantenha uma relação de confiança, cuidado ou responsabilidade. Portanto, nem todo ato incestuoso pode ser considerado ato sexual abusivo.

pedofilia é caracterizada como uma patologia sexual inserida no grupo das parafilias, que são patologias psiquiátricas caracterizadas por fantasias sexuais recorrentes e intensas com pessoas “não autorizadas”, animais ou objetos. O indivíduo portador deste tipo de distúrbio experimenta fantasias intensas e excitantes e impulsos sexuais envolvendo crianças. Estas pessoas podem ter fantasias sexuais envolvendo crianças ou se sentirem excitados por elas, sem, entretanto, chegar a cometer o ato de abuso propriamente dito. Assim, indivíduos portadores desse transtorno podem apresentar apenas os desejos e fantasias com crianças, sem se tornarem abusadores.

O abuso sexual, então, acarreta em conseqüências sérias para a criança que podem ser divididas em físicas, emocionais, sexuais e sociais (comportamento interpessoal), seus efeitos físicos e psicológicos podem ser devastadores.

Os sintomas mais comuns em pré-escolares são:

  • Ansiedade;
  • Pesadelos;
  • Transtorno de stress pós-traumático e comportamento sexual inapropriado.

Para as crianças em idade escolar, os sintomas mais comuns incluem:

  • Medo;
  • Distúrbios neuróticos;
  • Agressão;
  • Pesadelos;
  • Problemas escolares;
  • Hiperatividade;
  • Comportamento regressivo.

Na adolescência, os sintomas comuns são:

  • Depressão;
  • Isolamento;
  • Comportamento suicida;
  • Auto-agressão;
  • Queixas somáticas;
  • Atos ilegais;
  • Fugas;
  • Abuso de substâncias;
  • Comportamento sexual inadequado.

Muitos autores enfatizam o Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEPT)como uma conseqüência a curto prazo muito comum do abuso sexual. As manifestações do TEPT são divididas em três grupos:

  • Reexperimentação dos fenômenos (lembranças intrusas, sonhos traumáticos, jogos repetitivos, comportamento de reconstituição, angústia nas lembranças traumáticas);
  • Evitação psicológica (fuga de sentimentos, pensamentos, locais e situações, interesse reduzido em atividades habituais, sentimento de estar sozinho, âmbito emocional restrito, transtorno de memória, perda de habilidades já adquiridas, alteração na orientação com respeito ao futuro);
  • Estado de excitação aumentada (transtorno do sono, irritabilidade, raiva, dificuldade de concentração, hipervigilância, resposta exagerada de sobressalto e resposta autônoma a lembranças traumáticas).

comportamento sexual inadequado é outro sintoma muito característico de crianças sexualmente abusadas e inclui:

  • Brinquedo sexualizado com bonecas;
  • Introduzir objetos ou dedos no ânus ou na vagina;
  • Masturbação excessiva e em público;
  • Comportamento sedutor;
  • Conhecimento sexual inapropriado para a idade;
  • Pedido de estimulação sexual para adultos ou outras crianças.

Assim, as conseqüências no comportamento sexual podem ser a curto prazo (infância) e a longo prazo (adolescência e idade adulta) como:

  • Alta atividade sexual quando crianças, adolescentes e adultos;
  • Confusão e ansiedade a respeito da identidade sexual para aqueles que sofreram abuso homossexual, especialmente vítimas do sexo masculino;
  • Dificuldades no ajustamento sexual adulto (dificuldades conjugais, impotência, ansiedade sexual, menor satisfação sexual, evitação de sexo ou desejo compulsivo por sexo);
  • Confusão quanto aos valores sexuais.

Sentimentos de culpa também são comuns entre crianças sexualmente abusadas, sendo um dos mais graves efeitos emocionais resultantes da interação abusiva, especialmente se essa foi incestuosa e durou por muito tempo. Ao sentimento de culpa, soma-se o dano secundário referente ao estigma, devido à acusação por parte dos pais e da família.

Existem alguns indicadores que nos ajudam na identificação de casos deste tipo de abuso. São eles:

  • Indicadores Físicos: lesões corporais, infecções urinarias e de garganta (sem ligação com resfriado), secreções vaginais, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez;
  • Indicadores Comportamentais: o comportamento da criança deve ser observado e questionado em relação a mudanças ­­­­com desconhecimento de um motivo.

A criança pode ter:

  • Comportamento Submisso: uma criança que sofre com abuso, poderá apresentar este tipo de comportamento acompanhado de insegurança, isto a prejudicará em diversos assuntos de sua vida, como por exemplo, na escolha de decisões importantes;
  • Comportamento Agressivo: a criança ao sofrer o abuso sexual provavelmente teve uma resistência a ele e certamente procurou ajuda, ao não obter resultados satisfatórios, aumenta suas frustrações, o comportamento se altera tornando-se agressivo;
  • Comportamento Pseudomaduro: neste tipo de comportamento a criança torna-se externamente mais madura a introdução prematura ao sexo nessas crianças resulta em aparências e comportamentos que podem ser fachadas para um problema de crianças amedrontadas.

Para ajudar essas crianças a lidarem com os efeitos do abuso sexual, é importante que o profissional que vai lidar direta ou indiretamente com a criança ou adolescente vítima desse abuso perceba seu papel de apoio e de proteção à infância. Considerando o quadro clínico da criança é que se pode planejar a intervenção terapêutica. Os tratamentos podem ser individuais, familiares, grupais ou farmacológicos e podem ser necessários para diferentes crianças ou para a mesma, em diferentes períodos.

Ao psicólogo é necessário que tenha conhecimento do histórico familiar, empatia com a criança e também ser sensível, sabendo compreender os limites da criança. O psicólogo deve estar preparado para atender também os familiares, e consciente que nem todos os envolvidos podem estar dispostos a submeterem ao tratamento.

Independentemente do referencial teórico, deve-se criar um clima de segurançae aceitação a fim de que a criança adquira confiança e comece a se comunicar.

Com o tratamento, objetiva-se:

  • Aliviar o trauma experienciado pela vítima;
  • Facilitar a verbalização dos sentimentos;
  • Promover crescimento pessoal e melhores formas de comunicação;
  • Aliviar a culpa que a criança possa sentir como resultado do abuso;
  • Prevenir condutas autodestrutivas;

Assim, o foco é tentar ver como a criança viveu a experiência de violência e ter o cuidado para não estigmatizar a vítima.  É preciso trabalhar um contexto mais amplo com toda a família e assim poder ajudar todos os envolvidos a superar esse trauma, principalmente a vítima do abuso.

 

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