namoro

Atualmente, existe uma maior consciência e muito mais conhecimento sobre a sexualidade, porém falar deste tema ainda é um desafio, pois ele continua cercado de mitos e preconceitos. Apesar disto, a sexualidade é, sem sombra de dúvidas, um dos campos de maior importância e complexidade da vida e se faz presente em todas as etapas do nosso desenvolvimento como ser humano, manifestando-se, diariamente, em circunstâncias aparentes ou não, sendo necessário, portanto, falar deste assunto como se fala de qualquer outro.

A sexualidade, no ser humano, possui um longo desenvolvimento e tem seu início desde o nascimento; ao contrário dos que muitas pessoas pensam sexualidade não é sinônimo de relação sexual, é a energia que motiva a encontrar o amor, o contato e a intimidade e se expressa na forma de sentir, nos movimentos das pessoas, e como estas tocam e são tocadas.

A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, comportamentos e interações e depende muito da pessoa, das suas características genéticas, da educação familiar, das interações ambientais, das condições socioculturais, etc..

É na adolescência que se evidenciam os comportamentos socioafetivos e sexuais, onde começa a definir sua inclinação sexual. A masturbação, iniciada normalmente dos 11 aos 14 anos, por volta dos 15 anos ainda está presente, mas possui outras características, pois já é acompanhada de fantasias com outras pessoas. O adolescente volta-se, geralmente, para o amor heterossexual, ocorrendo com freqüência as paixões platônicas.

Surgem também os primeiros interesses sexuais e o início de relações íntimas (ficar, namorar, transar).

A definição e distinção entre ficar e namorar, na perspectiva dos adolescentes é importante. Pois, pais e professores muitas vezes desconhecem os acordos envolvidos no ficar, por exemplo. Associam o ficar à promiscuidade (ficar com vários). Associam também à falta de moral, o que acaba desqualificando as relações. Muitos adultos sentem-se ameaçados com a quebra do modelo conhecido. Fazem, por exemplo, críticas a não fidelidade.

Tanto o namoro quanto o ficar são formas de interação afetivo-sexual dos adolescentes, são formas de exercício da sexualidade, de socialização e da construção da identidade.

Ficar é a reelaboração do namorar, seria uma nova forma de relacionamento onde as pessoas se conhecem, interagem socialmente (não necessariamente sexualmente) e o compromisso é flexível. É uma experiência de estar com o outro, uma forma de trocar carícias e ter intimidade, sem compromisso de fidelidade. É um momento de descobertas e sensações sobre o corpo e sobre si mesmo.

No ficar pode ter sexo, não sendo uma regra, pois o limite é definido por aquele casal de ficantes. Há uma ausência de continuidade e exclusividade, mas o ficar pode se transformar em namoro. 

O namoro, geralmente, começa do “ficar ficando”, só que agora com mais exigências, os papéis são mais bem definidos e surge também a cobrança da fidelidade, que vem do medo de ser traído.

O namoro é a oportunidade de conhecer a si próprio e o companheiro, num relacionamento afetivo e com respeito de ambos.  Existem durante o período de namoro, duas fases marcantes e uma terceira que pode ou não vir após as anteriores.

A primeira é a do conhecimento, quando se tenta aproximar da pessoa, sente o coração bater mais forte e todo corpo ser envolvido por uma sensação de conforto e alivio com um simples toque das mãos. O tempo de conversação é maior do que a de caricias, pois um ou o outro tem medo de aproximar-se e ser rejeitado.

Dependendo do desempenho na primeira fase, novos encontros poderão surgir e assim o comprometimento fica maior, as caricias ficam mais intimas, e um começa e se aprofundar no mundo do outro em uma profundidade que pode surgir o desejo de posse que fica quase que obsessivo. Passando a segunda fase, a da paixão que pode provocar o ciúme e exclusividade fazendo com que o casal se desligue do grupo de amigos e vá viver sozinho seu relacionamento. Esta é a fase em que mais se há conflitos, enquanto deveria ser a mais saborosa e saudável.

A terceira fase ocorre quando o namoro evolui para uma relação estabelecida com a intenção de ficarem juntos e de querer partilhar com o outro a vida, em seus momentos bons e ruins.

Sobre a primeira relação sexual, a perda da virgindade ainda é um marco importante para os jovens e pode ser vivenciada com orgulho ou com culpa excessiva, de acordo com a educação e tradição da família.

As perguntas mais comuns são:

Quando é que se está preparado para ter sexo? 

No nível físico se considera pouco tempo depois da puberdade, onde o corpo humano se encontra preparado para ter relações sexuais, sem grandes conseqüências, habitualmente refere-se os 14 anos como uma idade segura.

No nível psicológico é mais complicado, pois cada adolescente tem o seu ritmo de desenvolvimento, mas quanto mais velhos mais preparados estarão.  É necessário compreender minimamente o significado e as consequências do ato sexual, estar com a auto-estima desenvolvida ao ponto de não se sentir pressionado ou obrigado, e ter capacidade para se colocar no lugar do outro.

O início da vida sexual não tem “hora marcada”, é uma escolha do adolescente, que não deve ser precipitada, e irá marcar o adolescente em termos de desenvolvimento futuro.

Como falar de sexo com os pais?

Tal como os pais, os adolescentes muitas vezes também ficam constrangidos ao falar deste assunto. É normal, mas não é desculpa para não o fazer.

Os pais (e outros adultos) são fontes importantes de conhecimento, mas para além disso, são também pessoas que se preocupam com o adolescente e que podem dar apoio emocional.

Provavelmente os pais estão ansiosos por falar e escutar o adolescente, mas ter uma conversa sobre sexo é algo intimo, e difícil para as duas partes. Não deve só falar das experiências e dúvidas, mas também ouvir o que o outro tem para dizer. O campo da sexualidade está cheio de informações erradas e se uma pessoa não tira a dúvida corre o risco de ficar preso a ideias que não são verdade.  É importante pedir ajuda quando necessário, em situações de pressão ou de ansiedade, os adultos em geral, e os pais em particular, são aliados preciosos.

Uma ideia para os pais lidarem com namoro, sexualidade, é conversar abertamente, compartilhar informação com os jovens, mas colocando limites sempre. Assim há maior possibilidade dos jovens se sentirem seguros, e amparados pelos pais. Já quando a sexualidade do adolescente é negada ou rejeitada pelos pais, o desenvolvimento de um autoconceito sexual fica prejudicado e os riscos de uma atividade sexual precoce ou perigosa são maiores.

Enquanto o filho é criança, contenta-se com respostas simples e didáticas. Mas quando cresce e se torna mocinho ou mocinha o diálogo e o carinho são o recurso mais importante que os pais têm para orientar seus filhos.

Para estreitar a relação entre pais e filhos é preciso conversar sobre tudo com eles. Em vez de entrar só no assunto namoro/sexo, fale sobre outros temas interessantes para o jovem, como música, TV, passeios e amigos da escola, por exemplo.

A afinidade e a intimidade entre pais e filhos devem ser trabalhadas desde cedo. Não adianta correr atrás do adolescente pedindo que ele se abra de uma hora para outra. O ideal é que essa amizade comece antes da adolescência.

É possível ser pai e mãe e amigos do seu filho. Mas é preciso ter calma. Há coisas que ele não vai querer contar nem como pais nem como amigos. Provavelmente vai preferir dividir as intimidades mais secretas com outro tipo de amigo. O melhor a fazer é respeitar isso.

Em relação ao namoro o ideal é encontrar o equilíbrio entre a liberdade e o limite. O adolescente tem o direito de namorar e é besteira tentar proibir. Mas ele precisa saber até aonde deve ir.

Coloque na cabeça que todo adolescente tem uma vida sexual, seja com outra pessoa ou por meio de fantasias. Essa é uma fase importante do desenvolvimento, na qual ele está descobrindo e formando a própria identidade.

Os pais tendem a negar que os filhos cresceram e enganam-se com a ideia de que ainda não estão preparados para receber informações, evidentemente, subestimando a sexualidade de seus filhos adolescentes. Acreditando que os filhos não pratiquem relação sexual, os pais evitam discutir sobre sexo e ficam à espera de “algum sinal” que indique que os jovens descobriram a sexualidade.

Entretanto, esse sinal pode surgir como produto de uma prática sexual desprovida de orientações ou baseada em informações inadequadas. Muitas vezes, é justamente esta não aceitação da sexualidade do adolescente que impede um diálogo eficiente sobre sexualidade entre pais e filhos.

Outra percepção equivocada dos pais é de que os filhos já estão bem esclarecidos sobre o tema sexualidade, pensando, inclusive, que os adolescentes tem melhores informações que eles próprios sobre o assunto.

Mas o que ocorre, na maioria das vezes, é que por acreditarem que os filhos estão melhores informados do que realmente estão, os pais fornecem aos jovens, apenas informações superficiais, julgando que estes já conhecem o suficiente sobre o assunto. Entretanto, os adolescentes não só querem essa orientação como precisam dela, vinda de quem realmente se preocupa com eles, visando seu desenvolvimento pleno e saudável.

Para alguns pais, a sexualidade dos adolescentes também é percebida como fonte de preocupação. Isto se dá pelo fato de, atualmente, existirem muitos fatores negativos envolvidos ao assunto, principalmente no que se refere à relação sexual, como a gravidez precoce e as doenças sexualmente transmissíveis.

Mas apesar de todas as dificuldades, os pais devem oportunizar um espaço de diálogo, acolhendo as dúvidas e fornecendo informações diretas e adequadas ao desenvolvimento e contexto dos adolescentes.

Por isso é importante que os pais conversem mais com seus filhos, e estejam em estado de alerta para o que ocorre ao redor deles. Estando sempre cientes de com quem estão se envolvendo, afinal na adolescência eles se acham super heróis, imbatíveis e tudo pode acontecer com os outros menos com eles, e a supervisão dos pais é essencial, pois na adolescência ainda estão em construção de caráter e muitas vezes agem sem ter conhecimento das consequências.

Pais de meninos devem se atentar aos conselhos que dão e principalmente ao apoiar o namoro na adolescência e a reforçar impulsos machistas como devem “pegar geral”. Os meninos devem ser educados para respeitar as meninas e trata-las com dignidade e educação.

Respeito e educação devem ser ensinados para ambos os sexos. Se prepare psicologicamente e com informações e tenha uma conversa sobre sexualidade, sobre relacionamentos, explique os riscos, jogue limpo e passe o máximo de segurança possível sobre o assunto e coloque seu ponto de vista. Eles podem não seguir a risca o que dizemos, mas ao menos saberá sua opinião sobre determinados assuntos e pensarão antes de fazer com certeza.

Ser amigos dos filhos é essencial, além de criar um relacionamento saudável entre pais e filhos, ele se sentirá mais seguro para poder contar algo ou tirar alguma dúvida, e até mesmo pedir conselhos. Evite proibições, isso fará que eles façam escondido, podendo ter um problema ainda mais grave, tente o direcionar da melhor forma possível e assim viverão essa fase em paz e com tranqüilidade, na medida do possível claro, já que estamos falando de adolescência.

 

 

 

 

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