culpa-culpa

Responsável por grandes sofrimentos psicológicos, um dos sentimentos mais arraigados dentro de nós, que se esconde atrás de nossas tristezas e frustrações, de nossas insatisfações na vida, de nosso tédio e angústias está o SENTIMENTO DE CULPA.

“Culpa” é o termo que usamos para os sentimentos negativos que sentimos, repetidamente, quando cometemos um erro que consideramos grave, ou quando fazemos algo que não gostaríamos de ter feito.

A mente ativa a preocupação, revê várias vezes as escolhas ou ações e as consequências, experienciamos um enorme sentimento de remorso que, para muitos parece um misto de náusea e um significativo senso de arrependimento.

A culpa e o remorso podem trazer também esclarecimento, mas quando sentidos de forma inadequada podem causar complicações. A culpa pode ser saudável, mas igualmente destrutiva.

A culpa pode motivar e estimular uma revisão completa de erros, aumentar a vigilância e cautela no futuro, dar uma sensação de ser responsável e promover a aceitação social e de estima, pode funcionar como um  sinal de alerta que informa quando há algo de errado com nossa conduta.

No entanto pode torná-lo emocionalmente desequilibrado, deixá-lo transtornado, diminuir a sua auto-estima, destruir a sua esperança. O sentimento de culpa pode ainda  fazê-lo ficar agarrado ao passado, impossibilitando que continue a levar a sua vida para frente e a viver no presente.

Geralmente, quem se sente culpado busca meios de fuga para aliviar esse sentimento de arrependimento. Tratar mal os outros, reclamar de tudo, ser implicante, comer compulsivamente, exagerar no consumo de álcool e usar drogas são comportamentos comuns de quem tenta acabar com a angústia.

Guardar o sentimento de culpa também pode gerar depressão, medo, isolamento e alterações emocionais mais graves. Por isso, o melhor caminho é encarar os fatos e aprender a suportá-lo.

O primeiro passo de como lidar com o sentimento de culpa é reconhecer que o ser humano é imperfeito, por isso pode errar a qualquer momento. Depois, precisa entender a diferença entre responsabilidade e a culpa. O sentimento de culpa vem da ideia de que as coisas devem acontecer como queremos, mas a vida não é controlável. Já ter responsabilidade é saber assumir suas atitudes, ainda que elas não sejam boas.

A parte mais complicada talvez seja analisar as situações em que a culpa surgiu e pensar se era realmente necessário agir de tal maneira.

A culpa é a não aceitação de nossos limites e fragilidade à frente das circunstâncias da vida. É uma vingança de nós mesmos, por não termos preenchido a expectativa de alguém a nosso respeito. A nossa recriminação interna, é nada mais do que as vozes recriminatórias de nossos pais, mães, professores ou outras pessoas ainda dentro de nós.

Para trabalhar o sentimento de culpa é importante perceber as convicções falsas que existem em nós. As pessoas sempre dizem que os seus sentimentos de culpa vêm dos seus erros. Acreditam que culpa é uma decorrência natural do erro, mas uma coisa é o erro e outra é a culpa. O erro é o modo de se fazer algo diferente, fora de algum padrão de algum modelo determinado que hoje pode ser errado e amanhã, não. Pode ser errado num país e não no outro.

A culpa é o sentimento que vem de nós. Vem da crença de que é errado errar, que devemos ser castigados pelas faltas cometidas. Crença de que a cada erro deve corresponder a um castigo. O sentimento de culpa é a punição que damos a nós mesmos pelo erro cometido.

A culpa, muitas vezes vem de “mãos dadas” com insegurança e sentimento de incompetência. As pessoas podem sentir culpa quando acreditam que não fizeram o suficiente, por exemplo: o amigo que não está bem “Eu poderia ajudar este amigo”, o chefe que está atolado “Eu poderia ficar até mais tarde”, o filho que não vai bem na escola “Eu deveria passar a noite estudando com ele”.

Também pode estar relacionada à família. Algumas pessoas estão tendo menos filhos, ou tendo filhos mais tarde, talvez pela necessidade de dar prioridade à carreira, precisam de tempo para trabalhar até mais tarde, estudar mais, ter a cabeça voltada para projetos profissionais, e quando menos percebem estão com seus pais idosos, precisando de ajuda e talvez não consigam dar esta atenção. Esta é a hora que pode bater a culpa.

Pode aparecer nos momentos de separação, interromper um relacionamento pode ser muito doloroso, e o principal componente para essa dor pode ser a culpa. Pensamentos do tipo “será que eu falhei?”, “o que eu poderia ter feito?”, “onde errei?”, são todos pensamentos que  indicam culpa.

A culpa pode ser irracional, por exemplo uma pessoa pode sentir culpa porque alguém que estava à sua frente na calçada tropeçou, “Como não adivinhei que esta pessoa precisaria de mim?”.

A culpa pode ser uma trava, por exemplo, uma pessoa com sentimentos de culpa pode deixar de fazer coisas que não tem relação alguma com a situação inicial. Por exemplo, a pessoa que sente culpa por não conseguir mais tempo para ficar com os filhos pode não se dar o direito de ter seu lazer mesmo quando os filhos estão ocupados com outras coisas. A culpa pode fazer a pessoa sentir que: “faça o que fizer nunca é suficiente”.

Se a culpa é a vergonha da queda, o autoperdão é o elo entre a queda e o levantar de novo. O perdão é sempre a si mesmo. O perdão aos outros é somente um modo de dizermos aos outros que já nos perdoamos.

O perdoar a si mesmo é restabelecer a própria unidade. O estar inteiro diante da vida e unir outra vez o que a culpa dividiu. É uma aceitação integral daquilo que já aconteceu, daquilo que já passou, daquilo que já não tem jeito. É o encontro corajoso com a realidade.

Somente aqueles que já desenvolveram a capacidade de autoperdão conseguem energia para uma vida sadia psicologicamente. A criança faz isso muito bem.

O perdão é a capacidade de dizer adeus ao passado, se libertando da culpa, podendo, finalmente, dizer um sim ao presente.

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