20140827190709694292u

Adolescentes: logo associamos cenas de turmas nas saídas das escolas, nos “shopping-centers”, reunidos em grupos, utilizando o mesmo estilo de roupa, uniformizados em seus jeans. Usam uma linguagem comum, com gíria e modismos próprios, um código quase exclusivo. São revolucionários com energia capaz de mobilizar e contagiar a sociedade. Possuem uma força vital intensa que os impulsiona a viver, a se encontrar, iniciar jogos e vida sexual, namorar, “ficar”, a ter “rolos”, “pagar micos” e assim por diante. Se aproximando também do mundo das delinquências e das drogas ou engravidam, ou até cometem suicidio.

O que sempre nos perguntamos é: Pra que tanta rebeldia? Mas a rebeldia surge para definir sua identidade, precisa se separar dos pais, que estavam muito próximos na infância. E o primeiro movimento que fazem é se colocar em campos opostos e atacar os pais para desmitificá-los, desidealizá-los, para definir sua própria identidade. De tal forma que, depois de terminar o processo de adolescência, poderá vir a ter uma relação mais de igual para igual, não somente com os pais, mas também com o mundo dos adultos.

Adolescência é uma etapa intermediária do desenvolvimento humano, entre a infância e a fase adulta. Este período é marcado por diversas transformações corporais, hormonais e até mesmo comportamentais. Nessa fase ocorrem significativas mudanças hormonais no corpo. Além de favorecer o aparecimento de acnes, estes hormônios acabam influenciando diretamente no comportamento dos adolescentes. Nesta fase, os adolescentes podem variar muito e rapidamente em relação ao humor e comportamento. Agressividade, tristeza, felicidade, agitação, preguiça são comuns entre muitos adolescentes neste período.

A adolescência é este período no qual uma criança se transforma em adulto. Não se trata apenas de uma mudança na altura e no peso, nas capacidades mentais e na força física, mas, também, de uma grande mudança na forma de ser, de uma evolução da personalidade.

Normalmente os adolescentes buscam grupos de amigos que tenham os mesmos interesses, os mesmos gostos e desejos, a fim de uma identificação menos conflitante e mais amigável.

Nessa etapa da vida é comum tentar se afastar da família, pois essa já não lhes satisfaz em relação aos interesses sociais. Os pais, não aceitando a busca da liberdade, muitas vezes tomam atitudes autoritárias, que os afastam ainda mais do grupo familiar. Outra atitude errada, normalmente tomada pelas mães, é o fato de não aceitar o crescimento do filho, achando que ainda é criança e tratando-o como tal. Essa atitude também o leva a afastar-se, pois nessa idade já não quer mais ser considerado criança.

É na adolescência que a pessoa descobre a sua identidade e define a sua personalidade. Nesse processo, manifesta-se uma crise, na qual se reformulam os valores adquiridos na infância e se assimilam numa nova estrutura mais madura. A adolescência é uma época de imaturidade em busca de maturidade. No adolescente, nada é estável nem definitivo, porque se encontra numa época de transição.

Por se tratar de uma fase difícil para os adolescentes, o caminho básico que os pais devem seguir é o da compreensão, com o devido respeito e carinho que merece cada um dos adolescentes.

E terminando a adolescência, portanto, tornando-se um adulto, um adulto jovem, espera-se que a independência econômica se imponha, e a estrutura de personalidade esteja definida, aconteça a estabilidade de uma identidade sexual e a possibilidade de estabelecer relações afetivas estáveis.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define adolescência como sendo o período da vida que começa aos 10 anos e termina aos 19 anos completos. Para a OMS, a adolescência é dividida em três fases:

Pré-adolescência – dos 10 aos 14 anos

Adolescência – dos 15 aos 19 anos completos

Juventude – dos 15 aos 24 anos.

No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera a adolescência, a faixa etária dos 12 até os 18 anos de idade completos, sendo referência, desde 1990, para criação de leis e programas que asseguram os direitos desta população.

ALTERAÇÕES QUE SUCEDEM NAS DIFERENTES ETAPAS DA ADOLESCÊNCIA

A puberdade ou adolescência inicial (10 a 14 anos)

  • Nasce a intimidade (o despertar do próprio “eu”).
  • Crise de crescimento físico, psíquico e maturação sexual.
  • Não há ainda consciência daquilo que se está a passar.
  • Conhece pela primeira vez as suas limitações e fraquezas, e sente-se indefeso perante elas.
  • Desequilíbrio nas emoções, que se reflete na sensibilidade exagerada e na irritabilidade de caráter.
  •  “Não sintoniza” com o mundo dos adultos.
  • Refugia-se no isolamento ou no grupo de companheiros de estudo, ou integra-se num grupo de amigos.

Ajudas positivas:

  • Conhecer bem cada adolescente, os seus pontos fortes, as suas fraquezas, amizades, etc.
  • Revelar-lhe como é, o que lhe está a suceder e que sentido têm as mudanças que está a sofrer.
  • Que conheça as suas limitações e as suas possibilidade.
  • Ajudá-lo a esclarecer o que é a autêntica liberdade, distinguindo-a da libertinagem.
  • Que desenvolva a virtude da fortaleza, para que possa fazer por si mesmo esforços pessoais.
  • Fomentar a flexibilidade nas relações sociais.
  • Sugerir atividades que lhe permitam estar ocupado.
  • Que reflita nas influências negativas do ambiente, especialmente nas que derivam da manipulação publicitária e nas que motivam condutas sexuais desordenadas.

A adolescência média (13 a 17 anos)

  • Do despertar do “eu” passa-se à descoberta consciente do “eu”, ou da própria intimidade. A introversão tem agora lugar, pois o adolescente médio precisa de viver dentro de si mesmo.
  • Aparece a necessidade de amar. Costumam ter imensas amizades. Surge o “primeiro amor”.
  • A timidez é característica desta fase. Medo da opinião alheia, motivado pela desconfiança em si mesmo e nos outros.
  • Conflito interior ou da personalidade.
  • Comportamentos negativos, de inconformismo e agressividade para com os outros. Causados pela frustração de não poderem valer-se por si mesmos.

Ajudas positivas:

  • Guiá-los para que adaptem as suas condutas às aspirações mais nobres e íntimas que descubram dentro de si.
  • Que saibam desmascarar as manipulações publicitárias e as do meio ambiente, especialmente as do consumismo e tudo aquilo que não lhes permita meterem-se dentro de si mesmos e refletir.
  • Que aprendam a procurar o silêncio, para que, sem medo, possam conhecer-se a si mesmos – a pensar e a refletir – e descobrir as suas mais profundas aspirações e fazer propósitos com decisão.
  • Colaborar com eles para que descubram o valor e o respeito pela intimidade.
  • Que se esforcem por pensar e refletir com rigor, evitando a superficialidade.
  • A paciência e o amor, unidos a uma suave firmeza, são os recursos para libertar o jovem da esfera das suas impertinências.
  • Evitar os enfrentamentos violentos. Permitir-lhe que se acalme perante as suas reações violentas.
  • Manter a serenidade a todo o custo, para poder dialogar com ele.

A adolescência superior (16 a 22 anos)

  • Começa a compreender-se e a encontrar-se a si mesmo e sente melhor a integração no mundo onde vive.
  • Apresenta um significativo progresso na superação da timidez.
  • É mais sereno na sua conduta. Mostra-se menos vulnerável às dificuldades.
  • Tem maior autodomínio.
  • É a época de tomar decisões: futuro, estudos…
  • Começa a projetar a sua vida.
  • Estabelece relações mais pessoais e profundas.

Ajudas positivas:

  • Que aprendam a escutar e a compreender os que pensam de forma diferente da deles ou do seu pequeno grupo, mas que não abdiquem das suas ideias ou princípios.
  • Que reflitam constantemente sobre os pontos de vista que são contrários aos seus, sabendo interpretá-los adequadamente.
  •  Que saibam suportar as contrariedades que qualquer responsabilidade implica, seja própria ou perante os outros.
  •  “Querer é poder”. Que se convençam de que não é possível conseguir mais se não nos propomos seriamente a isso.

As vezes as situações podem sair do controle e os pais não conseguirem controlar seus filhos, sendo necessária a ajuda de um psicólogo. Na terapia é fundamental que o adolescente perceba claramente que está sobre ele o foco principal do atendimento: ele precisa se sentir valorizado, individualizado, olhado e incluído. E os pais precisam se sentir ouvidos, amparados, humanizados e afirmados.

É importante propor a valorização da inter-relação, do diálogo, pois é a partir da interação que se constitui o sujeito mais livre e criativo. E a intenção da terapia, na abordagem Psicodramática, é contribuir para esta evolução, colocando em evidência o aspecto produtivo, espontâneo e criador do adolescente.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s