Crianca fazendo birra_thumb[2]

Uma das tarefas mais difíceis na educação das crianças é o momento de impor limites. Muitos pais não sabem a hora certa de negar as coisas para seus filhos, porém quando limites não são impostos, eles terão dificuldade de aceitar um simples não. Não existem regras para dar liberdade ou não as crianças, afinal, cada família deve levar em conta os costumes próprios e a confiança que o filho tem.

É importante ressaltar que a família e a escola têm papel fundamental na educação de valores para as crianças. Os pais que sempre estão por perto e mostrem com exemplos e atitudes o que é certo, permitem a construção de um comportamento mais maduro por parte dos filhos. Vale ficar atento por que os filhos também costumam fazer pedidos inesperados aos pais como uma forma de testá-los.

Crianças, a partir dos 2 anos, começam a ter autonomia natural e é necessário que os pais entendam este processo de crescimento pelo qual passa o filho. É preciso deixar a criança livre para que ela aprenda a se defender, porém, sempre estando por perto para se fazer presente e preocupado para que ela não cresça infantilizada.

Sempre equilibre os desejos com o que é permitido. A criança não poderá escolher se vai estudar ou não, ou se fará a lição de casa ou não, mas poderá escolher o esporte que vai praticar, por exemplo. Por isso se faz necessário acompanhar de perto o crescimento dos filhos para que você faça que ele entenda que cada escolha tem hora certa e acarretam renúncias.

Quando os pais não conseguem estabelecer regras e limites, a criança passa a se sentir insegura e tem dificuldades em lidar com perdas e frustrações. Além disso, dominam e manipulam os pais, como no caso das birras.

Pode ser difícil mesmo dizer um “não”. Sentimos pena, hesitamos e, às vezes, acabamos cedendo e a criança percebe tudo, inclusive a insegurança dos pais. E nesse momento, sua lógica é implacável, ela pode tentar usar a birra para conseguir algo que deseja: “Se eu gritar, ela vai me consentir”. É o que chamamos de compensação explícita. Quem já não precisou lidar com uma birra dos pequenos? E, é claro, em local público!?!

Embora ruidosas, desesperadas e embaraçosas as birras não são mais do que manifestações da vontade da própria criança que, por volta dos 2 ou 3 anos, percebem que já se pode fazer ouvir e de que maneira! O comportamento infantil difere de criança para criança, sendo que algumas contestam mais os limites e as regras impostas pelos adultos do que outras. Gritam, choram, dão pontapés, agitam os braços, deitam-se no chão, atiram brinquedos e objetos por não querer comer a sopa, ou tomar banho, ou dormir, por querem aquela boneca ou guloseima no hipermercado.

Esquecendo, por agora, o desânimo e a impaciência que desperta nos pais, há um lado positivo: no fundo, as birras são uma manifestação saudável das emoções, sentimentos, vontades e necessidades da criança. Afinal, estão desenvolvendo sua personalidade, só não sabem como expressar da melhor forma, porque nas suas mentes apenas querem satisfazer a necessidade do momento e muito rapidamente – nesta altura das suas vidas não têm qualquer outra preocupação se não a contestação dos pais.

Sendo assim, nunca ceda às birras de uma criança, nem porque se sente culpado por não passar muito tempo com ela ou porque tem-se portado tão bem nos últimos tempos ou então porque está passando vergonha numa loja. Ao ceder, vai passar a mensagem que as birras são normais e perfeitamente aceitáveis para as crianças obterem aquilo que desejam e ainda criar um ciclo vicioso que se tornará cada vez mais difícil de controlar e ultrapassar. Ao não conceder o desejo da criança os pais mostrarão que existe um tempo para tudo, ou seja, não pode ter tudo aquilo que pretende, na hora que pretender; existem regras e limites que têm de ser respeitados sempre; tem de aprender a lidar com as suas próprias frustrações; tem de saber esperar pelas coisas que quer, e que, a maior parte das vezes, terá de lutar para consegui-las.

Diante disso, a mãe precisa ter em mente três princípios:

  1. Toda autoridade é construída pela palavra. É pela palavra que construímos as regras junto com os pequenos. Se eles são informados, é natural cobrar e exigir que sejam respeitadas, pois todo limite que você coloca para seu filho é para o bem dele e seu também.
  2. É preciso sustentar o limite. Ao sustentar o limite que você colocou para seu filho e ele sabe o porquê, você passa sua segurança e confiança que irão ajudá-lo a vencer a frustração do “não”. Não há negociação para regras, cumprí-las significa transmitir para o filho o cuidado e a responsabilidade com a moral, os valores, a saúde e a segurança, muitas vezes, até de outras pessoas.
  3. Quando a regra não é cumprida, há que se ter alguma perda. A criança vai se constituindo através das referências que os pais passam para ela. Imagina como o filho vai se sentir ao perceber que, ao não cumprir as regras, fica tudo bem. Não ter conseqüências pode ser muito perigoso. A autonomia é responder pelos próprios erros e sua construção é um processo, nunca para, nem quando adultos. Portanto há de ter alguma perda como, por exemplo: não fez o Para Casa? Então não tem TV.

E principalmente mantenha a calma. Respire fundo, não eleve a voz, não ceda aos nervos, seja claro e dê o bom exemplo. Ignore-a. Pode parecer, à primeira vista, um pouco desumano ignorar uma criança, mas no fundo, a intenção é ignorar a birra – não responda à criança, não olhe para a criança, não acuse o seu comportamento de forma alguma. Nas primeiras birras esta atitude pode não ter resultados, talvez até aumentando a intensidade (para chamar a sua atenção claro!) mas, se o fizer regularmente, as birras vão acabar porque a criança vai perceber que não surte efeito.

Evite utilizar a força física com a criança. A birra em si já é tão “violenta” e descontrolada que bater a criança vai apenas incendiar um fogo que já está a arder. Deixe a criança sozinha. Se a birra ocorrer em casa ou noutro espaço familiar, experimente distanciar-se da criança, deixando-a sozinha durante alguns minutos ou segundos. Claro que uma criança zangada e a só pode fazer estragos, por isso, controle esse tempo conforme a sua idade – os especialistas apontam para um minuto para cada ano da criança (se a criança tiver 5 anos, não a deixe sozinha mais do que 5 minutos, por exemplo). É uma espécie de “castigo” que funciona muito bem porque, não tendo “audiência” a criança vai acabar por se acalmar mais rapidamente. No entanto só a deixe voltar se estiver tranquila e em silêncio pelo menos durante 30 segundos seguidos.

Não ameace com castigos que não vai conseguir cumprir. Se optar por esta estratégia ameaçadora, mas sem consequências reais, a criança não terá problema algum em repetir a birra. Uma criança tem de estar ciente das conseqüências. Da mesma forma que deve ser elogiada por ter arrumado o seu quarto ou brinquedos, tem de ser castigada se bater no irmão ou fizer uma birra. Uma das estratégias mais utilizadas com as crianças que fazem birras é colocá-las sentadas numa cadeira já designada para o efeito ou então numa esquina, de onde apenas podem sair quando a mãe ou pai disser. Ora, como detestam estar confinados, normalmente acalmam-se rapidamente e, ansiosos para saírem da sua “prisão”, começam logo a pedir para sair com promessas de bom comportamento!

Converse muito. Após a birra, é importante conversar com a criança sobre aquilo que se passou – o que estava certo e o que estava errado, porque é que não pode voltar a acontecer, as consequências de uma futura birra e as consequências do bom comportamento.

A autodisciplina é ensinar a criança a controlar, positivamente, as situações em que se encontra. Uma vez conquistada, as birras desaparecem, quase como por magia.

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2 comentários em “A hora certa de dizer “NÃO”: Como lidar com as BIRRAS e impor LIMITES aos filhos

  1. Mnha filha tem 4 anos e tudo q ela qer o pai dela faz,e tanto q não consigo ter controle sobre ela e acabo dando umas palmadas nela quando não cedo suas vontades mas depois explico pq,ainda não consigo por ela de castigo e como só tenho ela o pai mima de mais,eu consigoum não pra ela mas tem momento que fico tão nervosa q grito com ela e acabo me estressando muito..por favor m ajude.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Bom dia Sônia, o mais importante seria uma conversa entre você e seu marido primeiro, para tentarem entrar em um consenso pois se não vc acaba sendo vista como a má na história. E o castigo vc pode começar com coisas pequenas como retirar dela algo que ela gosta por um dia pra ela sentir que tem consequência quando desobedece, e conversar com seu marido é primordial pra ele não tirar sua autoridade quando você castiga-la Depois passa a colocar em um cantinho por 4 minutos no máximo explicando o porque de estar ali, geralmente os minutos no castigo é compatível a idade que a criança tem aos poucos va mostrando pra ela que se te desobedecer ha consequências, mas sem perder a paciência para deixar claro que tem o controle da situação e é a autoridade. Qualquer persistência procure um psicólogo que com certeza poderá te ajudar muito conversando e explicando ao seu marido a importância da criança ter limites e intervindo com sua filha te ajudando mais. Espero ter ajudado.

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